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Luiz Carlos Trabuco Cappi
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Acredite nas oportunidades

Depois da pandemia, o Brasil de 2021 precisa do sentimento de urgência e de superação

Luiz Carlos Trabuco Cappi, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 05h00

A sensação, neste começo de ano, é a de abrir um livro em branco, que será escrito por todos os brasileiros. As possibilidades positivas são muitas. O ano de 2020 foi quase sabático para o mundo. A atual pandemia do novo coronavírus mudou a visão de futuro do Brasil – e, como todas as anteriores, provocou transformações importantes na estrutura econômica e social dos países. 

A praga Justiniana, em 542, matou entre um quarto e metade da população romana, abalou o poder econômico e militar de Roma. 

A peste negra teve seu pico de contaminação entre 1347 e 1351, com surtos até o século 18. A estimativa de mortes chega a 200 milhões, e teve como uma de suas consequências o declínio do sistema feudal. Com menos gente, a escassez de mão de obra incentivou inovações na agricultura, como o arado, a rotação de culturas, a fertilização com esterco e a urbanização. Abriu caminho para o início do Renascimento, um período de grandes mudanças e ganhos de produtividade.

Há paralelos entre essas pandemias e a dos dias de hoje. Mostraram que se pode mudar rápido e o mundo se reinventar, com o meio ambiente no centro das prioridades. A inclusão social é outro pilar da mudança.

A Segunda Guerra Mundial foi a maior crise do século XX. Como resultado, fez com que o mundo avançasse na sua integração, a partir da criação da ONU, da OMC, do Banco Mundial e do FMI, cujos objetivos incluem trabalhar em convergência pela paz e pelo crescimento. 

A pandemia continua, mas o início da vacinação em massa abre esperanças de que ela pode ser controlada. A recuperação econômica tende a ser desigual, muitas empresas se recuperarão, algumas deixarão de existir e outras se reinventarão.

Na política econômica, o desafio é a gestão dos estímulos e os auxílios aos mais pobres, gerenciando a dívida pública. O que se percebe é que a expansão das dívidas fiscais pode aumentar a tributação em quase todos os países.

Milhões de empregos foram destruídos e é, portanto, importante focar na criação de opções.

Os indicadores apontam para a recuperação econômica, com crescimento de cerca de 4% do PIB, e equilíbrio externo.

O foco, agora, precisa ser o futuro. Aprovação das reformas, incentivos ao empreendedorismo e inclusão digital são necessários para gerar mais investimentos e mais empregos.

Seria possível aumentar a produtividade da economia com o ensino a distância, pela ampla oferta de educação individualizada e material didático de qualidade a todos os brasileiros. E revolucionar o papel dos professores.

Estão aí as novas descobertas em saúde. Possibilitam diagnósticos mais rápidos e seguros. A telemedicina, em lugares remotos, ajuda os médicos locais. Aproxima e iguala o acesso aos nossos centros de excelência, que estão entre os melhores do mundo. É um caminho viável para melhorar a saúde de toda a população.

O setor bancário brasileiro vive uma das maiores transformações de sua história. Mudanças na estrutura de mercado, avanços em tecnologia e novo ambiente institucional, além do open banking, vão dar nova configuração competitiva ao setor.

Todas as empresas devem redesenhar seus modelos de negócio e promover mudanças organizacionais. O papel das áreas de recursos humanos tornou-se ainda mais central na gestão da transformação, com vistas à geração de outros valores e propósitos do capital humano. 

Finalmente, vamos torcer pela realização das Olimpíadas adiadas no ano passado, com o melhor do esporte mundial em Tóquio. Recordes seriam batidos. Um paradigma da vontade do ser humano de se superar, no esporte e na vida.

Teremos, outra vez, novas fontes de inspiração para seguirmos em frente.

A pandemia mostrou como o tempo pode ser acelerado. O Brasil de 2021 precisa do sentimento de urgência e de superação, pois as possibilidades de construção de um país melhor só dependem da união de todos nós. Vamos aproveitar as oportunidades. 

*PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BRADESCO. ESCREVE A CADA DUAS SEMANAS

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