Acredito que investment grade virá em breve, diz Mantega

Segundo ministro da Fazenda, agências demoram mais para dar o reconhecimento que investidores já dão

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

15 de abril de 2008 | 16h46

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira, 15, que não está preocupado com a obtenção do grau investimento pelo País, mas afirmou que este reconhecimento "virá em breve". Em entrevista concedida em Nova York, o ministro disse que as agências de classificação de risco são mais demoradas para fazer o reconhecimento que os investidores já fazem na prática.   "Eu disse para uma das agências que, no fundo, não estou muito preocupado com o investment grade, pois o que me interessa é o reconhecimento de que o Brasil já reuniu as condições para ter o investment grade", afirmou ao sair do hotel, em Manhattan. "Quando vão conceder... eles são um pouco, digamos, mais demorados para fazer esse reconhecimento, mas eu acredito que ele virá em breve", estimou.   Mantega afirmou que nos encontros que teve com as agências de rating "queria mais o reconhecimento moral de que o Brasil já tem o investment grade". "Com as pessoas que conversei (analistas da Standard and Poor's e da Fitch Ratings), acredito que vêem o Brasil com otimismo. Não questionaram os dados que apresentei, não questionaram a melhoria fiscal que demonstrei, não questionaram que estamos dando conta de todos os quesitos econômicos com propriedade", contou.   Na segunda-feira, Mantega teve reunião com a diretora-sênior para rating soberano da Fitch, Shelly Shetty, e com a diretora para rating soberano da S&P, Lisa Schineller. Nesta terça, a equipe coordenada pelo secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, teve encontro com o vice-presidente e diretor para rating soberano da Moody's Investors Service, Mauro Leos, enquanto o ministro teve reunião com o representante do Brasil no FMI, Paulo Nogueira.   O ministro afirmou que apresentou dados econômicos adicionais para as agências de risco. "Eu trouxe mais resultados que eles não possuíam e demos um quadro muito positivo da economia brasileira. Portanto, é o momento de reconhecer que a economia está tendo (bom) desempenho em todos os campos: fiscal, monetário e vulnerabilidade. Em todos os quesitos o Brasil está muito bem", ponderou. Sobre a avaliação das agências, particularmente, em relação aos números apresentados, o ministro afirmou que os "dados foram olhados de forma simpática, não vou dizer otimista".   Investimentos   Para Mantega, o Brasil já é reconhecido como investment grade quando a base de comparação é o nível de investimento estrangeiro no País, o nível de IPOs e o nível da inflação, "que no Brasil é menor do que em outros emergentes".   O ministro classificou a viagem para os Estados Unidos, com presença no Encontro de Primavera do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, como "extremamente positiva". "Conseguimos o que queríamos no FMI, uma melhoria inédita das cotas no Fundo, o Brasil foi o país mais favorecido com esta mudança", disse. "Subimos de 1,4% para 1,7%, parece pouco, mas na verdade é substancial, pois quando (a cota) de um aumenta a de outro está diminuindo, e ninguém quer diminuir a participação", acrescentou.   De acordo com Mantega, o aumento de cotas é "sinal forte de que os países emergentes estão sendo reconhecidos e tendo espaço maior de decisão e de voz no Fundo". Há uma parte do mundo que não está indo muito bem e "nós (o Brasil) estamos na parte que esta indo bem", reforçou.   Sobre o anúncio da ANP sobre a reserva de petróleo, Mantega falou que é preciso "esperar o comunicado oficial da Petrobras. Quando ela tiver avaliação precisa, ela o fará".

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