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Acrefi: desaceleração do crédito é natural

Após uma série de aumentos constantes no ritmo de concessão de crédito, a perspectiva é de estabilização, avalia o vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Paulo Isola. "Eu acho natural o que está acontecendo e até bom para um mercado que está amadurecendo no crédito de uma maneira geral, e principalmente no crédito ao consumo", avalia Isola, que também é diretor do Bradesco.Segundo ele, a desaceleração do crédito está relacionada tanto a este amadurecimento na concessão do crédito quanto à política monetária. "Acho que essa reversão se deu na própria expectativa que nós tivemos com os índices inflacionários, que fizeram com que fosse interrompida a queda contínua da taxa de juros básica", afirma. Isola explica que o consumidor já aprendeu que a inflação pode reduzir sua renda e já antecipa este efeito em seus hábitos de consumo.Com relação à inadimplência para pessoa física, o executivo acredita que o aumento de 7,1% em abril para 7,3% em maio não foi significativo. Ele ressalta que os dados do BC são relativos a maio, mês tradicionalmente forte para o varejo por conta do Dia das Mães, "o segundo Natal". "Eu diria até que ela (a taxa de inadimplência) está com um comportamento até muito bom", afirma, acrescentando que o resultado é "prova desta maturidade e do alongamento de prazos".Em sua avaliação, o fato de o crédito estar desacelerando "é bem saudável" e esta situação pode ser inclusive favorável para o País, assim que a inflação for contida. "O crédito pode trazer benefícios, mas você tem que ter uma certa moderação", defende.Para Isola, o processo de alongamento dos prazos foi interrompido recentemente e não preocupa tanto quanto o uso excessivo do crédito. "O alongamento do prazo é até saudável. O problema é a utilização do crédito em muita escala", alerta. Ainda assim, ele avalia que o governo está atento e não acredita que seja necessária nenhuma medida para conter o crédito, por conta da auto-regulação do setor. "Os sinais que o próprio governo vem dando de preocupação já traduzem para a indústria uma forma bastante clara do que pode acontecer", explica, prevendo uma maior reflexão por parte da indústria de concessão de crédito.

CAROLINA RUHMAN, Agencia Estado

24 de junho de 2008 | 17h04

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