Acusação contra Palloci dispara o alarme do mercado

O medo dos mercados de que a crise política contagie a economia brasileira tomou força nesta sexta-feira, após a denúncia de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recebeu suborno quando era prefeito de Ribeirão Preto. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou o dia em queda de 0,95%, o Risco País - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do Brasil - subiu mais de 3% e o dólar teve forte alta de 2,94% - a maior em quinze meses - e fechou a R$ 2,450 para a venda, após chegar a subir 4,11%, cotada a R$ 2,478.O ministro - peça chave da estabilidade econômica brasileira - não tinha sido atingido pelos escândalos de corrupção do PT; até hoje, quando foi acusado de receber mensalmente R$ 50 mil da empresa de coleta de lixo Leão Leão, durante seu segundo mandato como prefeito de Ribeirão Preto.Palocci foi prefeito de Ribeirão Preto de 1993 a 1996 e de 2001 a 2002, ano em que deixou o cargo para assumir a pasta da Fazenda no Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As acusações contra o ministro foram feitas pelo advogado Rogério Buratti, ex-secretário municipal de governo de Ribeirão Preto na gestão de Palloci, e que depois ocupou o mesmo cargo na Leão Leão.Segundo o promotor Sebastião Sérgio da Silveira, Buratti contou ao Ministério Público que "o dinheiro ia para o PT", cujo ex-tesoureiro Delúbio Soares admitiu ter feito uso de caixa dois para financiar as campanhas eleitorais do partido. Buratti depôs hoje para se beneficiar da delação premiada e tentar reduzir sua pena. O advogado está detido sob acusação de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e destruição de provas.Proximidade com Lula e PalocciNas últimas semanas, a percepção dos especialistas era de que enquanto as acusações de corrupção não atingissem Lula ou Palocci os mercados e a economia em geral se manteriam à margem da crise política. Hoje os temores se materializaram. "Esse comportamento mostra que o mercado está preocupado com uma eventual inclusão de Lula e Palocci nas denúncias. A coisa ficará grave se algo for comprovado", acredita o economista José Pio Borges, ex-presidente do BNDES.O Ministério da Fazenda divulgou um comunicado no qual afirma que Palocci "nega com veemência a veracidade da informação" de Buratti. Mas a declaração não foi suficiente para os mercados recuperarem a calma.A oposição qualificou de "gravíssimas" as acusações contra Palocci e afirmou que se forem comprovadas o ministro teria de deixar o Governo, possibilidade que provoca calafrios nos mercados, que vêem o ministro como fiador da ortodoxa política econômica de Lula.

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