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Acusação de leniência com inflação faz BC usar mão mais pesada

Não foi apenas a decisão de acelerar a alta que surpreendeu na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de levar a taxa Selic para 8% ao ano. Também foi surpreendente que a decisão tenha sido tomada por unanimidade. Um bom número de analistas esperava decisão dividida, como em abril, e a maior parte deles se inclinava por uma alta de 0,25 ponto porcentual, sobretudo depois da divulgação da decepcionante variação do PIB, no primeiro trimestre do ano.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2013 | 02h04

Depois de conhecidos os números da economia entre janeiro e março, haveria, de fato, alguma lógica em moderar a alta da taxa básica. Se a função da política monetária é equilibrar a trajetória da demanda à dinâmica da oferta, pelo manejo da taxa básica de juros (taxa Selic), o cenário prospectivo não sugeria a necessidade de mão mais pesada na sua fixação pelos próximos 45 dias.

As revisões para baixo no ritmo de expansão da economia em 2013, praticamente consensuais depois dos números do primeiro trimestre, estão aí para indicar que pelo menos parte da tarefa de esfriar o ambiente não necessitaria da colaboração de uma elevação mais agressiva dos juros. As dificuldades próprias da economia - e também a inflação mais alta - estão fazendo esse serviço.

São variados, além disso, os sinais de que as pressões inflacionárias, ainda que permaneçam em níveis relativamente altos, mais perto do teto do que do centro da meta de inflação, tendem a aliviar, principalmente no segundo semestre. A estagnação do consumo das famílias e a freada forte no ritmo de expansão do setor de serviços, presentes no comportamento da economia, no primeiro trimestre, não parecem episódios apenas pontuais.

Tudo indica, porém, que prevaleceram outros elementos, na formação da decisão do Copom. Poderia haver mais abalos na sua credibilidade se a alta de juros não fosse forte o suficiente para se alinhar com a sequência de pronunciamentos mais duros do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e de alguns de seus diretores, em contraponto às acusações de leniência com a alta de preços.

Os termos do lacônico comunicado emitido ao final da reunião do Copom dão sustentação a essa hipótese. Ao afirmar sem mais que a alta de 0,5 ponto "contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", o BC quis transmitir a mensagem de que não pretende abrir mão da tarefa de coordenar as expectativas no campo da inflação.

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