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Acusações dos EUA não têm fundamentos, diz executivo da Huawei no Brasil

Marcelo Motta negou que a empresa seja utilizada pelo governo chinês para acessar dados privados, mas disse que decisão sobre participação da Huawei no 5G do País depende de Bolsonaro

Entrevista com

Marcelo Motta, diretor de cibersegurança da Huawei no Brasil

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2020 | 19h08

A fabricante de equipamentos de telecomunicações Huawei reagiu à escalada de acusações feitas nesta semana no Brasil por uma comitiva de oficiais norte-americanos que pressiona o governo brasileiro a restringir a atuação da empresa chinesa por aqui.

O diretor local de cibersegurança da Huawei, Marcelo Motta, afirmou ao Estadão/Broadcast que os ataques dos Estados Unidos carecem de "quaisquer fundamentos" e negou que a companhia tenha acesso a dados privados ou que tenha obrigação de repassar esse conteúdo ao governo chinês.

A troca de farpas acontece nos meses que antecedem o leilão das frequências do sinal de 5G no Brasil, previsto para meados de 2021. A participação no leilão será das operadoras, não das fabricantes. Entretanto, a Huawei é uma das três grandes fornecedoras do mercado nacional, ao lado da sueca Ericsson e da finlandesa Nokia.

Até agora, não há impedimento para a Huawei surfar a onda do 5G. A Vivo, inclusive, já usa equipamentos da chinesa nas primeiras redes comerciais de 5G em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Gabinete de Segurança Institucional já listou os requisitos mínimos de segurança cibernética que devem ser adotados na implantação das redes 5G e não fez nenhum veto à presença da multinacional. Mas a decisão final caberá ao presidente Jair Bolsonaro e irá além de aspectos técnicos, considerando também as consequências nas relações futuras com EUA e China. Abaixo, trechos da entrevista.

Como a Huawei recebeu as declarações do conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, Robert O?Brien, de que os dados do governo brasileiro e empresas locais poderão ser "decifrados" pelo governo chinês caso passem por equipamentos da Huawei?

Recebemos as acusações com naturalidade, visto que acontecem há mais de uma década e sem quaisquer fundamentos. Temos cibersegurança e privacidade como prioridades máximas. Nossa governança passa por testes em múltiplos centros de transparência globais e regionais. Todo este esforço é o fundamento para a produção de equipamentos confiáveis e seguros para clientes, parceiros e governos.

Há uma crítica recorrente à legislação chinesa, que obrigaria a Huawei a repassar dados de seus clientes se solicitada pelo governo de lá. Essa obrigação existe, de fato?

Não. E nem existem tais leis e obrigações na China. Toda as leis lá existentes aplicam-se igualmente a todos os fornecedores de telecomunicações lá presentes, basicamente todos os grandes players mundiais. Ademais, fornecemos apenas equipamentos. E não temos acesso a eles, que são operados diretamente por nossos clientes. Logo, não temos acesso a quaisquer dados privados.

Então, que garantias a Huawei pode oferecer ao Brasil em termos de segurança e privacidade da conexão?

Temos mais de 270 certificados em segurança e privacidade. Além dos clientes que nos testam rotineiramente, é importante enfatizar que tais mecanismos de validação estão abertos ao governo brasileiro também para que possa usar suas próprias ferramentas de teste, metodologia e profissionais na avaliação de nossos produtos e na construção de suas próprias conclusões, sem a opinião infundada de terceiros.

Nesta semana, a comitiva de oficiais do governo dos Estados Unidos chegou a oferecer financiamento às teles brasileiras na compra de equipamentos de outros fornecedores. A Huawei também tem opções de financiamento para a compra de equipamentos?

Não financiamos equipamentos, e os clientes são livres no levantamento deles. Lembramos, no entanto, que todo financiamento tem custo, e a livre competição leva à redução.

Como a Huawei vai se posicionar para enfrentar as tentativas dos EUA restringirem a atuação da empresa no Brasil e em outros países? 

Nós fornecemos equipamentos que são inovadores, compactos, verdes (reduzido consumo de potência), inteligentes e seguros. Eles são objeto de desejo de nossos clientes e têm custos reduzidos. Então, é importante frisar que a ausência desses equipamentos em alguns mercados incrementou os preços em duas a cinco vezes para pequenos operadores em áreas rurais, tudo o que desejamos que não aconteça no Brasil.

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