WERTHER SANTANA / ESTADÃO
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Adensamento urbano corporativo pode ser solução para revitalizar espaço público

Chefe de Design Urbano da Cidade de Nova York apontou parcerias entre o poder público e o capital privado como viabilizadores de grandes obras de infraestrutura

Mário Braga e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2015 | 14h17

SÃO PAULO - O adensamento urbano corporativo pode ser a solução para viabilizar projetos de infraestrutura e revitalização do espaço público. Esta foi uma alternativa apontada por Alexandros Washburns, que é urbanista e foi chefe de Design Urbano da Cidade de Nova York entre 2007 e 2012. Ele citou exemplos de projetos urbanos de Nova York e apontou parcerias entre o poder público e o capital privado como viabilizadores de grandes obras de infraestrutura.

Desde o desenho do Central Park, na ilha de Manhatan, projetado como parque e reservatório de água, à criação do High Lane Park, também em Nova York, investimentos privados viabilizaram obras de interesse público. A ideia de adensamento, com a construção de grandes prédios de escritórios para viabilizar empreendimentos, é apontada por Washburns como a forma de financiar projetos de redesenho urbanístico

Em Hudson Yards, disse o urbanista, as empreiteiras responsáveis pelos arranhas-céus comerciais se comprometem a construir estruturas públicas no entorno, como áreas verdes e parques nas margens do rio Hudson. Neste modelo, as companhias que assumissem os empreendimentos também ficariam responsáveis por obras de infraestrutura para segurança hídrica, por exemplo. Neste arranjo, o poder público entra com a função de apresentar projetos que atraiam investimentos. "O governo não tem dinheiro para construir tudo sozinho", destacou Washburns. 


Para mostrar que este conceito é aplicável à realidade brasileira, o norte-americano ilustrou seu argumento com um projeto hipotético que contaria com a construção de grandes edifícios na marginal do rio Pinheiros. Ajustando diversas variáveis em um software, estes empreendimentos viabilizariam a construção de uma represa para aliviar a crise hídrica e contariam com áreas verdes no entorno. A lógica de Washburns é que para uma obra de infraestrutura maior ou de espaços públicos de lazer mais amplos, seria necessário prédios mais altos, com um maior adensamento, de modo a viabilizar o investimento do capital privado. 

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