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Adesão à greve de petroleiros cresce e pode afetar 33 plataformas

Categoria promete paralisação a partir da 0h de domingo, 1º de novembro; Petrobrás diz que está aberta ao diálogo

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2015 | 18h25

RIO - A Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), confirmou início da greve da categoria a partir da 0h de domingo, dia 1º de Novembro. Cerca de 20 sindicatos ligados à federação aderiram a manifestação e prometem parar a produção em protesto contra a venda de ativos da Petrobrás. A expectativa é de uma adesão de 80% da categoria em mais de 33 plataformas e terminais da estatal.

A paralisação foi definida ontem, após reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Na quarta-feira (28), representantes da Federação também se reuniram com a Petrobrás, após ultimato para negociar a pauta proposta pelos sindicatos, que é contra a venda de ativos e pela manutenção de investimentos da companhia. Sem sucesso, os trabalhadores se retiraram da reunião.

"A atual direção da Petrobrás não responde à nossa pauta, e tenta impor a pauta dela, com redução de benefícios. Não houve respostas objetivas em relação à reposição de efetivo, melhorias de segurança, por exemplo. Há quatro meses a companhia está em silêncio para nossas demandas", afirmou José Maria Rangel, diretor da FUP.

Segundo ele, a expectativa de adesão à greve é semelhante à de 1995, quando a categoria parou as atividades por cerca de dois meses em oposição à proposta de privatização e mudança de nome da Petrobrás. "A aprovação nas assembleias foi maior de 80% e superou nossas expectativas para fazer um bom movimento contra a venda de ativos, que é uma forma de privatização", afirmou o líder sindical.

Entre os meses de julho a agosto, os sindicatos realizaram assembleias em diversas unidades de produção, terminais de transporte e regaseificação além de refinarias e fábricas de fertilizantes. De acordo com o Sindicato de Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), há adesão em pelo menos 33 plataformas da região, que abarca as bacias de Campos e Santos, as principais produtoras do País.

Em nota, a Petrobrás sinalizou que tem "compromisso de dialogar abertamente". A estatal criou uma comissão de negociação para discutir os termos de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que propõe redução de jornada de trabalho e alguns benefícios corporativos aos trabalhadores. "As atividades da empresa são normais e não há prejuízos à produção ou ao abastecimento do mercado", diz o comunicado.

Desde quinta-feira, oito estados já paralisaram as atividades após determinação da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), entidade ligada à Força Sindical. O grupo negocia reajuste salarial com a Petrobras. A estatal ofereceu 8,11% em segunda proposta, mas os petroleiros querem 18% de aumento, porcentual foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para atender a recomposição de perdas com a inflação e ganhos de produtividade.

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