Adesão à troca de títulos pode chegar a 90% na Argentina

Pelo menos 90% dos credores privados argentinos, donos de títulos públicos em estado de calote, aderiram ao processo de troca da dívida. A afirmação foi realizada pelo presidente da Caixa de Valores, Luis Corsiglia, que também sustentou que estava surpreso, já que dias atrás ele próprio calculava que a adesão local ficaria em 80%. Segundo Corsiglia, no exterior, a troca de títulos já teria obtido 45% de adesão.O presidente da Caixa de Valores afirmou que se o governo do presidente Néstor Kirchner conseguir 80% de adesão global, isso representaria "um valor muito significativo, mais ainda se levarmos em conta que a Argentina está exibindo um panorama econômico atraente". A faixa de 80% de adesão é o limite mínimo estipulado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo financeiro considera que um patamar inferior não seria aceitável.A Argentina declarou o default (calote) da dívida pública com os credores privados no dia 23 de dezembro de 2001. Adolfo Rodríguez Saá, presidente provisório na época, anunciou o calote da dívida no meio de um estrondoso aplauso dos parlamentares argentinos no Congresso Nacional. Na seqüência, o país afundou na maior crise financeira de sua história.Mais de mil dias depois, em 14 de janeiro passado, o governo do presidente Néstor Kirchner começou formalmente o processo de reestruturação da dívida, que implica troca dos 152 títulos velhos, em estado de calote, por três bônus novos, reestruturados. No total, serão reestruturados US$ 100 bilhões em títulos, o que constitui a maior troca de dívida da história mundial.CondiçõesOs novos bônus implicam em uma redução do valor nominal da dívida de até 63%. Além disso, para desgosto dos credores, os títulos serão pagos em um prazo de até 42 anos. No entanto, os analistas afirmam que os índices de adesão registrados até o momento indicam que os credores, embora abominem a proposta de reestruturação feita pelo governo Kirchner, estão se resignando a aceitar os novos títulos. O processo de troca de títulos termina nesta sexta-feira. O governo descarta que o processo possa ser prolongado por mais alguns dias. Na reta final do "canje de deuda" (troca da dívida), o clima no governo Kirchner é de otimismo "contido".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.