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Adesão da Grécia ao euro foi um erro, diz presidente da França

Declaração de Nicolas Sarkozy escancarou a fragilidade da União Europeia, logo após acordo para socorrer país

GENEBRA , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h05

Menos de 24 horas depois de ajudar a acertar um calote organizado da Grécia, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, rompe um tabu e declara que a adesão de Atenas ao euro foi "um erro" e que o país "não estava pronto" para a moeda única.

Esse foi o primeiro reconhecimento público de um chefe de Estado europeu sobre o assunto, escancarando a fragilidade da união monetária.

O "erro" agora será corrigido com um verdadeiro esquema de tutela montado pela União Europeia (UE) para controlar cada passo da Grécia a partir de agora e garantir que, até 2020, as reformas e medidas de austeridade se traduzam em uma redução do déficit em um terço.

Pelo acordo, até os recursos obtidos com a privatização em Atenas irão diretamente aos cofres europeus, sem passar pelas autoridades gregas. Para a oposição e sindicatos em Atenas, o acordo de ontem significará uma década de recessão.

Segundo Sarkozy, a adesão ao euro "foi um erro porque a Grécia entrou com dados econômicos falsos". O presidente, em entrevista a tevês francesas, alertou que a UE não teve outra alternativa senão a de encontrar uma solução para a Grécia. "Se o euro tivesse explodido na quarta-feira pela noite, toda a Europa e o mundo teriam explodido."

O perdão de 100 bilhões da dívida grega, porém, não virá de graça para Atenas. Em uma exigência de Berlim, a UE passará na prática a controlar a economia grega a partir de agora para garantir a implementação das reformas, que já levaram milhões de pessoas às ruas.

Ontem, a chanceler Angela Merkel anunciou que uma delegação permanente seria instalada em Atenas para supervisionar as reformas que a Grécia terá de realizar para continuar recebendo dinheiro. "Precisamos de um sistema de supervisão permanente", disse Merkel, que indicou que a delegação da UE seria estabelecida "sem data para sair". "Haverá um regime reforçado de supervisão para que a Grécia cumpra suas obrigações", disse. Ontem, um dos jornais de oposição trazia em sua capa um desenho com tanques alemães invadindo a Grécia.

A tutela é ampla: 15 bilhões arrecadados com a venda de estatais gregas irão diretamente aos fundos da UE e nem sequer passarão pelos cofres de Atenas. Ontem, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, admitiu que o plano exigirá ainda a nacionalização de todos os grandes bancos do país, num valor de 30 bilhões.

Segundo ele, o maior controle da economia nacional pela UE era inevitável. Mesmo assim, preferiu comemorar o acordo por ter tirado dos gregos o peso da dívida. / J.C.

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