Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Adesão do Brasil à Opep seria decisão política

Cartel, por enquanto, se recusa a falar da descoberta brasileira

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2007 | 00h00

O adesão do Brasil à Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) será acima de tudo uma "decisão política", segundo os comentários de diplomatas em Viena, na sede da entidade, e em Riad, onde ocorre nesta semana uma reunião ministerial da organização. Pelas regras, o país que queira fazer parte do cartel precisa do voto positivo de todos os 13 membros da Opep.A Opep vai realizar sua terceira cúpula desde sua criação, em 1960. A primeira foi na Argélia, em 1975. A segunda, em Caracas, em 2000. Agora, o encontro ocorre em meio a um debate sobre como controlar o preço do petróleo, que bate recordes sucessivos.A Opep se recusa a falar da descoberta do novo campo de petróleo no Brasil. "Não comentamos descobertas ou fatos envolvendo países que não fazem parte da organização", afirmou Sally Jones, porta-voz da Opep. O secretário-geral da entidade, Abdallah Al-Badri, também evitou fazer comentários sobre um eventual ingresso do Brasil na organização.Nos bastidores, o anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a descoberta do campo poderia levar o País a pedir a adesão à Opep causou surpresa e expectativas por parte dos diplomatas dos países que fazem parte do grupo. Para alguns, a adesão do Brasil representaria um fortalecimento da organização, já que levaria para o grupo um país considerado "moderado" na América Latina, além de contar com uma perspectiva de estabilidade. Segundo funcionários da entidade, se ficar provada a capacidade exportadora do Brasil, não haverá motivo para não aceitar o novo membro. A entidade aposta, em parte, na América Latina para ganhar legitimidade. O governo do Equador, que havia se retirado da Opep em 1992, anunciou há um mês seu retorno. O país foi suspenso após uma falta de acordo em torno das cotas de exportação. O presidente Rafael Correa deve ir ao encontro na Arábia Saudita para confirmar a volta do país à entidade. O último país a entrar na Opep foi Angola, no início do ano. No pedido de adesão, os membros do cartel avaliam a capacidade exportadora do país. Mas, acima de tudo, a conveniência política da adesão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.