Adiamento do reajuste da gasolina afetará inflação de 2005

Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) consideram que o petróleo e as expectativas de inflação são os dois focos de atenção para o mercado neste momento. Diante da forte escalada do petróleo, eles consideram que talvez seja necessário incorporar esta "deterioração" nas projeções para a inflação. Até agora, a alta do petróleo vinha sendo tratada como um "mero risco latente".Na ata da reunião do Comitê, que elevou a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 16,25% para 16,75% ao ano, fica claro que os diretores do BC estão preocupados com os possíveis efeitos de um reajuste mais forte do preço dos derivados de petróleo, como a gasolina, sobre a inflação de 2005.O fato é que, diante desta possibilidade, os bancos e investidores tendem a negociar juros mais altos em suas operações. Ou seja, prevendo uma inflação mais alta em 2005, o que levaria o BC a aumentar ainda mais a Selic, os investidores antecipam este quadro e passam a operar com juros mais altos antecipadamente. Isto preocupa o BC, na medida em que coloca em risco a eficácia de sua política monetária que visa o controle da inflação. ProjeçõesO Copom mantém em seu cenário básico a mesma projeção que vinha trabalhando para o aumento da gasolina em 2004, de 9,5% no total, e pretende divulgar, em breve, estimativas desagregadas para 2005, já que atualmente o aumento de gasolina projetado para o próximo ano está incorporada na estimativa de alta esperada pelo Copom para o conjunto de preços administrados ou monitorados por contrato.Será no momento de elaboração dessas projeções em separado que o Comitê definirá se essa situação mais adversa do cenário internacional de petróleo terá que ser incorporada diretamente ao cenário básico de projeções.

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