ADM estréia transporte de açúcar na Hidrovia Tietê-Paraná

A Sartco, empresa do Grupo ADM - um dos maiores exportadores de grãos do País -, decidiu testar a utilização da Hidrovia Tietê-Paraná para o transporte de açúcar a granel. Em dois meses, houve dois embarques de 3 mil toneladas do produto entre as cidades de São Simão (GO) e Anhembi (SP), em um percurso de 780 quilômetros. Outros embarques estão previstos para os próximos dias. Segundo a ADM, o transporte multimodal por rodovia e hidrovia diminui os custos entre 3% e 8% em comparação com o sistema rodoviário. A empresa já utiliza a hidrovia para transportar soja das regiões produtoras do Centro-Oeste até São Paulo.O açúcar é transportado por rodovia das regiões produtoras até o terminal fluvial de São Simão, onde é transferido para barcaças. De lá, segue até Anhembi, onde novamente é transbordado para caminhões, continuando o trajeto até o corredor de exportação do Porto de Santos (SP). O diretor do Departamento Hidroviário, Oswaldo Rossetto Júnior, informa que esta é a primeira vez que a hidrovia carrega açúcar a granel e acredita que novos contratos podem ser assinados para a safra do próximo ano. Além de açúcar, ele revelou que estão em estudo projetos para transportar contêineres com carga industrializada pela hidrovia.De acordo com Rossetto, a carga a granel, densa e de grande volume, é mais apropriada para a hidrovia do que para o caminhão. Um comboio de barcaças chega a transportar o equivalente a 200 carretas. "Isso contribuiu para descongestionar as estradas". Hoje, o calado da hidrovia é de 2 metros e 70 centímetros, profundidade 20 centímetros acima do mínimo considerado ideal, o que permite uma navegação tranqüila. No ano passado, a via foi prejudicada pela estiagem, que diminuiu a profundidade das águas e colocou em risco a passagem dos comboios.InvestimentosA Tietê-Paraná tem 2.400 quilômetros de vias fluviais navegáveis, interligando cinco Estados brasileiros (GO, MG, MS, PR e SP), e já recebeu cerca de US$ 2 bilhões em investimentos por sucessivos governos, principalmente a partir dos anos 70. O programa de investimento para este ano é avaliado em R$ 30 milhões e inclui obras nas pontes ao longo do traçado para ampliar vãos e melhorar as condições de navegação. Para o ano de 2003, os investimentos previstos pelo Estado são de R$ 29 milhões.Ex-executivo da iniciativa privada, Rossetto assumiu o cargo no departamento há mais de dois anos, quando passou a separar os números de transporte de areia e cascalho da chamada carga nobre. Os carregamentos de areia, que inflavam as estatísticas da hidrovia, agora são registrados à parte. "Era preciso saber o tamanho real da via". Pela Tietê-Paraná são transportadas cargas de soja, óleo vegetal e cana-de-açúcar e, segundo Rossetto, a via ainda é pouco utilizada. Ela deve transportar este ano 1,2 milhão de toneladas de carga de longo curso (sem contar areia e cascalho), total 20% superior ao apurado no ano passado, mas ainda aquém da sua capacidade nominal, de 20 a 25 milhões de toneladas por ano. "O ritmo de evolução da intermodalidade e da criação de terminais de carga é lento e existe entre as empresas falta de cultura hidroviária", diz Rossetto. Além da ADM, as empresas que a utilizam a hidrovia são a CNA (Grupo Libra), Empresa Paulista de Navegação (Grupo Torque) , Comercial Quintella e Usina Diamante (Grupo Cosan). Leia mais sobre o setor de Transportes e Logística no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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