ADR da Ambev poderá ser aprovado

A estrutura societária da Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) está perto de ser concluída. Segundo o diretor financeiro da empresa formada pela união de Brahma e Antarctica, Luiz Felipe Dutra, a aprovação do registro das ações da empresa nos Estados Unidos (American Depositary Receipts - ADRs) deve sair até amanhã. Com isso, esses recibos de ações poderão ser negociados na NYSE, a bolsa de valores de Nova Iorque.Isso é o que falta para os minoritários da Brahma migrarem para a AmBev, o que já aconteceu com os acionistas da Antarctica. Os minoritários da Brahma poderão escolher entre receber ações da AmBev ou um reembolso em dinheiro por seus papéis. A relação de troca será uma ação da AmBev para cada papel da Brahma que possuem. Se o acionista preferir exercer o direito de retirada, o reembolso será feito pelo valor patrimonial da ação, que está em R$ 266,00 por lote de mil. Para Dutra, exercer o direito de retirada é irracional. Um dos motivos, é que as ações da Brahma estão valendo no mercado mais do que o patrimonial. Na segunda-feira, os papéis fecharam cotados a R$ 1.863,00 por lote de mil.Dutra estima um aumento de 6% nas vendas da empresa neste ano. Para chegar nessa previsão, ele levou em conta a expectativa de crescimento do PIB em 2000, de 4%. Segundo ele, historicamente, a correlação entre crescimento do PIB e vendas de bebidas é de 1,5 vezes. Ou seja, pela estatística, o consumo de bebidas correspondente deve ser de 6% no ano.Ambev poderá divulgar balançoCom a migração dos acionistas da Brahma, a AmBev poderá divulgar um balanço com a participação total nas duas companhias no quarto trimestre. No balanço do segundo trimestre consta a participação de 100% na Antarctica e de 21,2% no capital total da Brahma (pois apenas os controladores migraram).Esse fator fez com que a AmBev registrasse um prejuízo de R$ 102,4 milhões no segundo trimestre, contra lucro de R$ 34,1 milhões no mesmo período do ano passado (valor estimado, já que a empresa ainda não existia). Se fosse assumida a equivalência de 100% da Brahma, a AmBev teria lucro de R$ 9,7 milhões no segundo trimestre, ante prejuízo de R$ 59,7 milhões no mesmo período do ano passado. Para chegar nesse cálculo, a empresa também excluiu o efeito de "outras receitas" contabilizadas no segundo trimestre de 99, no valor de R$ 222 milhões.A geração operacional de caixa da empresa cresceu 22,3% de abril a junho deste ano, para R$245,3 milhões. Para Dutra, o aumento resultou de uma combinação entre aumento do volume de vendas de cerveja e refrigerantes e uma administração severa de custos. O volume de vendas consolidado da empresa cresceu 7,3% no segundo trimestre. A receita líquida subiu 13,7%, para R$1,110 bilhão. Os custos avançaram menos do que a receita - a alta foi de 5,1%, para R$ 636,2 milhões.

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