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Sachsida será um dos maiores aliados de Bolsonaro nas eleições

Novo ministro de Minas e Energia tentará conciliar discurso pró-mercado e busca de reeleição de Bolsonaro

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 04h00

O presidente Jair Bolsonaro rifou o seu ministro “almirante” de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na noite da véspera do anúncio pelo IBGE da inflação fechada de abril. O IPCA fechou o mês com alta de 1,06% e taxa acumulada em 12 meses, atingindo 12,13%. Não é mera coincidência.

A fotografia atual mostra também Bolsonaro parando de crescer nas pesquisas e o seu adversário nas eleições, Lula da Silva, mantendo a vantagem. Os bolsonaristas estavam animados com a recente diminuição da distância entre o presidente e Lula, mas esse avanço não prosperou como esperavam.

A crise de energia, com a alta dos preços de combustíveis e das tarifas de energia elétrica, ameaça os planos da reeleição. 

O presidente fez a demissão e surpreendeu meio mundo, inclusive aliados, com a publicação no Diário Oficial da União na manhã da quarta-feira. Sinal de que, desta vez, ao contrário das duas escolhas para o comando da Petrobras, ouviu poucas pessoas e acabou descartando mais um ministro do grupo dos militares. 

A manobra foi conduzida num momento de ameaças renovadas de greve dos caminhoneiros após a alta do diesel. A troca deu um nó na cabeça de quem tenta entender os sinais desse movimento com a escolha de um auxiliar de Paulo Guedes, Adolfo Sachsida, que “dia sim, dia não” repete o mantra da necessidade de avançar nas políticas de reformas pró-mercado num ambiente de consolidação fiscal. 

Afinal, Sachsida vai rasgar todo esse receituário para intervir nos preços e ajudar a diminuir a inflação?

A resposta pode estar na confiança que o presidente parece depositar nele, que também vinha sendo apontado nos bastidores como um dos nomes que trabalhariam na plataforma de governo para um segundo mandato do presidente.

Sem ser da área de energia, precisará ganhar credibilidade dentro do próprio setor, que está pagando para ver se esse papo todo de pró-mercado é para valer. Sachsida tentará conciliar: com uma perna no discurso no mantra política pró-reforma e outra amparada no chão para atender Bolsonaro e buscar a reeleição. É o que já fez na equipe econômica ao patrocinar medidas de injeção de recursos e crédito que podem impedir um tombo maior da economia neste ano de eleição.

Em entrevista recente ao Estadão, o novo ministro disse que o governo daria a resposta para a reeleição dentro de campo. Que ninguém duvide de que ele será um dos maiores aliados para o presidente chegar lá com chances de vitória. 

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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