Lula: André Dusek/Estadão | Bolsonaro: Gabriela Biló/Estadão
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Adriana Fernandes
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Bolsonaro quer que eleitor lembre do auxílio emergencial; e Lula, do Bolsa Família

Os problemas são novos e maiores e não serão resolvidos com soluções velhas e eleitoreiras

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2022 | 04h00

A campanha da chapa Lula-Alckmin incluiu no programa de governo a volta do Bolsa Família num modelo “turbinado”, mas a proposta não encontra consenso nem mesmo entre os pesquisadores e gestores da área social ligados aos partidos que apoiam a candidatura.

Alertas têm sido disparados para a coordenação do programa, que prometeu a volta do Bolsa com mais famílias e manutenção do piso de R$ 600 do Auxílio Brasil. Numa lógica de que recuperar o legado do ex-presidente Lula, que criou o programa há quase 20 anos, seria suficiente.

Para os críticos da proposta, não basta retornar ao modelo do antigo programa num cenário que hoje é muito diferente, após o impacto sobre a população mais pobre da pandemia e do choque de alta dos preços com a guerra na Ucrânia. O Bolsa Família tinha problemas e filas. Não seria nem mesmo solução do ponto de vista eleitoral.

Assustou a pesquisa PoderData, realizada de 3 a 5 de julho e publicada pelo site Poder 360, que mostra que 37% dos eleitores que receberam algum pagamento do Auxílio Brasil no mês anterior têm a intenção de votar no presidente no 1.º turno. O porcentual subiu nove pontos em comparação à rodada anterior da pesquisa, de 19 a 21 de junho.

Crítico histórico do Bolsa Família, Bolsonaro deixou a oposição de mãos atadas ao propor a elevação do piso do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, o mesmo valor do auxílio emergencial, além de mais dinheiro para zerar as filas. Um problema que estava desgastando politicamente a campanha do presidente para a reeleição. Bolsonaro não desistiu nem mesmo de dobrar o benefício para mães solo “em determinadas” situações.

A campanha dele conta também com o lançamento dos novos cartões, que passarão a ter a função de débito e permitirão às famílias contrair crédito consignado.

O plano eleitoral do presidente sempre foi o de dar o auxílio de R$ 600, valor que garantiu aumento da sua popularidade na época do auxílio emergencial. Recuperar essa memória do auxílio emergencial é a estratégia, enquanto o PT tenta recuperar o Bolsa Família.

O Brasil de 2023, pós-eleição, vai precisar de um programa social de transferência de renda robusto, bem focalizado e com uma resposta eficaz para resolver o problema da extrema pobreza e da fome. Em especial os mais vulneráveis. Não será com um Auxílio Brasil maldesenhado nem com um velho novo Bolsa Família. Será preciso muito mais do que isso para diminuir a pobreza. Os problemas são novos e maiores e não serão resolvidos com soluções velhas e muito menos eleitoreiras. É o que as pessoas do mundo real estão dizendo e vivendo. 

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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