Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - 27/10/2021
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Adriana Fernandes
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Centrão tomou as rédeas da política econômica do governo Bolsonaro, mas está sem rumo

Os últimos dias mostraram que os comandantes do Congresso ficaram perdidos com a articulação que vem sendo costurada para derrubar a PEC dos precatórios

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 04h00

Ao menos, esperava-se mais “profissionalismo” dos caciques do Centrão na condução da política econômica do governo Jair Bolsonaro.

Eles tomaram as rédeas do comando da economia, mas estão desorganizados, sem rumo certo e atirando para todos os lados. Tem faltado planejamento. É verdade.

O último depósito do auxílio emergencial ocorre no domingo, e os governistas não entregaram ainda uma solução para o programa social como prometeram, aumentando as incertezas sobre o futuro de quem recebe o benefício.

Os últimos dias mostraram que os comandantes do Congresso ficaram perdidos com a articulação política que vem sendo costurada para derrubar a PEC dos precatórios na votação da Câmara.

Se essa articulação falhar e a PEC for aprovada na próxima quarta-feira, as lideranças do Centrão enfrentarão problemas também no Senado.

A Casa se transformou num depósito de projetos mal feitos enviados na Câmara com aval do candidatíssimo à cadeira de Bolsonaro, o seu presidente Rodrigo Pacheco.

Sem votos ainda para aprovar a PEC – tábua de salvação para mais emendas parlamentares e o Auxílio Brasil (sucessor do Bolsa Família) de R$ 400 – o Centrão fala, nos bastidores, em prorrogação do auxílio emergencial lançando mão do estado de calamidade. Em público, seguem abraçados à PEC.

O quarteto Arthur Lira-Ciro Nogueira-João Roma-Ricardo Barros foi mesmo surpreendido pela mobilização e tem até quarta-feira para buscar uma saída.

Defensores de um programa social robusto e bem desenhado, os partidos de oposição estão (até o momento) unidos contra a PEC. Movimento que o Centrão não contava por conta do apelo social da necessidade urgente do lançamento turbinado do programa social. 

Esse posicionamento da esquerda fez os outros partidos se reposicionarem, como o MDB e Cidadania. O PSDB rachou, e o Novo votou contra.

Os deputados passaram a olhar perplexos com a possibilidade de votar a favor de uma PEC que desmonta o teto de gastos, deixando a política econômica com a âncora fiscal à deriva.

Muitos deles temem ser apontados como os responsáveis pelo teto de gastos, enquanto os partidos de esquerda fecharam posição contra a PEC e a mudança na forma de pagamento dos precatórios, que pode levar a uma bola de neve com a pedalada das despesas. 

Sob nova direção, o time que cuida da gestão fiscal-orçamentária (Esteves Colnago e Paulo Valle) tenta retomar novamente as rédeas e a resistência. Mas o espaço já foi tomado.

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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