Ueslei Marcelino/Reuters - 22/10/2021
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Adriana Fernandes
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Ninguém segura a sanha eleitoral de Bolsonaro e de seus aliados com medidas mal formuladas

Cofre está arrombado, e não há um 'Sr. Não' para barrar as bombas fiscais que se multiplicam no Congresso nestes últimos dias

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 04h00

A máxima de “um manda, e o outro obedece” proferida pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para explicar a decisão do presidente Bolsonaro de desautorizar a compra de vacina no auge da pior fase da pandemia se espalhou como praga na área econômica.

Ninguém segura a sanha eleitoral do presidente e de seus aliados com medidas ruins, mal formuladas e que interessam, na maioria das vezes, ao seu público de eleitores.

O cofre da República está arrombado, e não há um “Sr. Não” para barrar as bombas fiscais que se multiplicam no Congresso nestes últimos dias.

Esse papel deveria ser do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas a sua equipe não consegue. O esforço tem sido reduzir danos como ocorreu ontem na obstrução do governo nas votações da Comissão de Finanças e Tributação, onde estava prevista a votação de uma bateria de projetos.

Não há argumentos que a equipe econômica apresente, mostrando que as contas públicas fecharão o ano com resultado melhor no final do governo, que escondam a piora fiscal. 

São tantas minas terrestres armadas pelo Congresso, que está até difícil para o Ministério da Economia acompanhar o estrago e reduzir o desastre para as contas públicas.

Tudo indica que essa rodada de votações de final de 2021 será uma das mais nefastas dos últimos anos. Não há freio.

Nesse quadro estarrecedor, Bolsonaro mandou Paulo Guedes propor ao Congresso o reajuste salarial para os servidores federais, mas vejam: só para os policiais federais.

Um plano de reajuste salarial disfarçado de reestruturação das carreiras da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal, da Penal e do Departamento Penitenciário Nacional. Grupo que já tinha sido beneficiado em outros momentos, inclusive na reforma previdenciária, como também ocorreu com os militares das Forças Armadas

Não faz sentido nenhum dar reajuste para os policiais enquanto o baixo clero do funcionalismo, que tem salários mais baixos, está com salário congelado desde 2017.

Muito difícil acreditar que outras categorias também poderosas, como os auditores fiscais da Receita, ficarão quietos. No primeiro encontro com os auditores, o novo secretário da Receita, Júlio César Vieira Gomes, já foi cobrado pelo reajuste salarial e pela realização de novos concursos, outra briga que cresceu nos últimos dias.

O Ministério da Economia vai ceder. E os policiais são só os primeiros entre os servidores. Despesas que serão acomodadas no Orçamento de 2022 porque o Congresso deu licença para gastar mais com a PEC dos Precatórios. A fatura está aumentando sem corte de gastos. 

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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