Dida Sampaio/Estadão - 12/5/2016
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Adriana Fernandes
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Campanha eleitoral de 2022 precisa ter um maior protagonismo feminino

Indiferentes, os políticos continuam achando que esse tema é mimimi. Mas a campanha já está na rua, e a representatividade de gênero será cobrada. Não duvidem disso

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 04h00

O Brasil tem economistas brilhantes, mas, a depender do andar da carruagem, o debate eleitoral no campo econômico será mais uma vez comandado em 2022 por uma maioria de homens.

Mulheres têm assessorado presidenciáveis. Isso é fato. A coluna não pretende dizer o contrário. É preciso chamar atenção, no entanto, para a necessidade de maior protagonismo feminino na campanha do ano que vem.

As eleitoras mulheres estão cada vez mais atentas a esse ponto. Indiferentes, os políticos continuam achando que esse tema é mimimi de ativismo feminista.

Nas eleições de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral informou que a maioria do eleitorado era formada por mulheres, que representavam 52,49% do total, ante 47,48% de homens. Um contingente de 77.649.569 de mulheres.

A campanha já está na rua, e a representatividade de gênero será cobrada. Não duvidem disso.

Se mais mulheres não estiverem engajadas no debate econômico eleitoral de primeira hora, o do desenho dos programas e das políticas públicas dos candidatos que podem se tornar presidentes, as chances de um futuro governo com mais mulheres também diminuem.

Pelo que já foi divulgado até agora, a coordenação dos times principais de economistas dos pré-candidatos é formada por homens. Moro, Doria, Ciro... Todos eles têm economistas homens no comando. Lula será o porta-voz econômico da sua campanha, já disse a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Mas são economistas homens do PT que têm dado o tom do debate econômico no partido.

Bolsonaro tem Paulo Guedes. O ministro da Economia até já falou em planos para a campanha. Sua equipe também é formada praticamente por homens nos cargos de comando. Só agora, quase três anos depois de governo, Guedes indicou uma mulher para comandar uma das secretarias especiais do seu superministério.

Um marco histórico na cobrança da sociedade por igualdade de gênero ocorreu na posse de Michel Temer. A foto do ex-presidente, no Palácio do Planalto, rodeado só de homens, viralizou e chamou atenção para o fato de que na sua equipe de 24 ministros não havia nenhuma mulher. A imagem daquele dia foi tão marcante que as críticas inundaram as redes sociais e até hoje é lembrada.

Com Jair Bolsonaro, não foi muito diferente. Ele assumiu a Presidência com apenas duas ministras (Tereza Cristina e Damares Alves) num time de 22 ministros. Em resposta às críticas, disse que o ministério estava equilibrado porque cada uma delas valia por 10 ministros. Não colou.

Acordem, candidatos! 

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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