Werther Santana/Estadão - 17/2/2022
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Fiesp e Febraban se juntam para estudar e enfrentar as causas dos juros altos do Brasil

Com a troca de comando da Fiesp, uma agenda de aproximação começou a ser traçada, inclusive para apoiar pautas comuns de medidas

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2022 | 04h00

Um curto comunicado, distribuído no final da manhã da última quinta-feira, anunciou a dobradinha de dois pesos-pesados – um da indústria e outro do setor bancário – repleto de simbolismo que salta aos olhos no momento atual do cenário de alta de juros altos e estagnação econômica combinado com o ano de eleições para a Presidência da República.

A Fiesp e a Febraban se juntaram para criar um grupo de trabalho para estudar e propor medidas para enfrentar as causas dos juros estruturais do País. Mas a reaproximação das duas entidades vai muito além do tema escolhido para inaugurar uma nova parceria depois da troca de comando de Paulo Skaf (próximo ao governo Jair Bolsonaro) para Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar (Lula), que travou uma cruzada contra os juros elevados.

A relação estava trincada desde às vésperas das manifestações antidemocráticas de 7 de Setembro do ano passado, quando a Febraban passou por uma delicada crise institucional após a entidade assinar um manifesto da Fiesp em defesa da democracia.

As fissuras ficaram, mas BB e Caixa não deixaram a Febraban. Agora, com a troca de comando da Fiesp, uma agenda de aproximação começou a ser traçada, inclusive para apoiar pautas comuns de medidas.

Em almoço na segunda-feira, Isaac Sidney, presidente da Febraban, e Josué selaram o acordo para a criação do grupo. O plano para o futuro das duas entidades é também ter representantes de cada uma delas nos conselhos técnicos e estratégicos da outra.

Um dos temas de interesse em comum para um maior alinhamento é a melhoria de garantias para o financiamento de veículos. Nesse mercado, indústria e bancos têm forte conexão. Hoje, 70% dos veículos novos produzidos pela indústria automobilística são comprados por meio de empréstimo bancário. Em 2021, foram financiados mais de 5,90 milhões de veículos em 2021.

Uma ação em conjunto será a defesa da aprovação de uma emenda para ser incluída em proposta que tramita no Congresso para facilitar a recuperação de garantias, com a busca e apreensão de veículos extraoficialmente.

No comunicado desta semana, o presidente da Fiesp diz que os altos juros no Brasil são um problema estrutural e um entrave ao desenvolvimento que precisa ser encarado de frente e logo. Já o presidente da Febraban afirma que os juros são altos, mas não por vontade dos bancos, e que é preciso parar de criticar e agir. Nesse ponto, será preciso muito mais que um alinhamento. Esperamos para ver. 

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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