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Bolsonaro aciona a máquina pública para novas 'bondades' eleitorais

Adversários estavam contando com a piora da economia e da inflação para diminuir a popularidade do presidente

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2022 | 04h00

A redução da distância nas pesquisas eleitorais entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro deu fôlego para ativar novas "bondades" eleitorais que devem sair da gaveta nas próximas semanas.

A correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), promessa de campanha de Bolsonaro e Fernando Haddad em 2018, é uma delas.

O governo ainda pode isentar do pagamento do IPI os mototaxistas, público que apoia o presidente.

A redução do Imposto de Renda das empresas também entrou no radar, como antecipou o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, que já faz planos para 2023 e falou abertamente, em evento promovido pelo Bradesco, numa plataforma de política econômica para o segundo mandato do presidente Bolsonaro, como reforma tributária, atração de investimentos europeus para o setor de energia limpa, principalmente eólica, e o mercado de carbono.

O cenário mudou com a guerra da Ucrânia e o governo põe na conta que o Brasil será muito favorecido com o apoio dos europeus por conta da necessidade deles de garantir segurança energética e alimentar e diminuir os riscos que ficaram evidentes depois da invasão russa.

Tudo está na mesa e vem sendo proporcionado pelo aumento de arrecadação do governo, que nada garante que vai permanecer robusta como agora, quando tem sido influenciada positivamente por uma série de fatores, como alta de combustíveis e da inflação.

É uma máquina eleitoral em curso muito bem organizada e planejada pelos ministérios sob o comando do Palácio Planalto.

É justamente o contrário do que os adversários do presidente nas eleições deste ano, equivocadamente, esperavam e que estavam, nos últimos meses, contando com a piora da economia e da inflação para diminuir a popularidade do presidente.

Em contraponto ao cenário de alta de preços, o presidente vai focar num saco de bondades amplas, como é o caso do IRPF, e outras medidas pontuais, como isenções.

O cerco chega até mesmo a públicos como mulheres e catadores de lixo para reciclagem, redutos de apoiadores do ex-presidente Lula.

Uma regulamentação vai sair do papel na próxima semana permitindo um benefício de R$ 200 a R$ 300 para catadores com o lançamento do novo mercado de crédito de reciclagem. O dinheiro é privado, mas a iniciativa ficará com o carimbo do governo. 

No Auxílio Brasil, o programa social com a marca de Bolsonaro que garante no mínimo R$ 400 para todos os beneficiários, o alvo agora é trocar os cartões o mais rapidamente possível. Os antigos com o nome Bolsa Família, criado por Lula, serão substituídos. Os recursos estão sendo providenciados pelo Ministério da Economia.  A ideia é rodar 10 milhões de cartões. Essa troca é feita pela Caixa Econômica Federal, por meio da ação Agentes Financeiros da União. Nessa ação orçamentária do Ministério da Economia, estão previstos os contratos do governo federal com a Caixa. Hoje, o dinheiro é insuficiente e não comporta a emissão de novos cartões. Mas tudo será resolvido.  Um "santinho" eleitoral.

É a Esplanada dos Ministérios a todo vapor. Com essa máquina, não dá para subestimar a força do presidente.

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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