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Representantes do mercado apoiam propostas, mas ainda mantêm ceticismo sobre o PT

Nenhum dos interlocutores fala oficialmente em nome do ex-presidente Lula; a orientação é escutar as demandas do mercado, com a liberdade de emitir opiniões pessoais sobre os temas levantados nas reuniões

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2022 | 04h00

O mercado tenta encontrar junto aos interlocutores do PT as linhas-base do projeto econômico para enfrentar o que os formuladores do partido chamam da herança do País de “dois dígitos” do governo Bolsonaro: desemprego (11,1%)inflação em 12 meses (12,13%) e juros (12,75%).

Hoje, nenhum dos interlocutores fala oficialmente em nome do ex-presidente Lula. A orientação é escutar as demandas do mercado, com a liberdade de emitir opiniões pessoais sobre os temas levantados nas reuniões. Alguns temas têm aparecido de forma recorrente nas reuniões, e algumas falas estão sendo bem recebidas pelo mercado, segundo apurou a coluna.

O anúncio da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de manutenção do Roberto Campos Neto no BC retirou a tensão sobre a política monetária em um terceiro mandato de Lula. Sinalizou simultaneamente a manutenção de um presidente do Banco Central bem-visto pelo mercado e o respeito ao atual arcabouço legal, sem rupturas.

No tema fiscal, a ênfase dada é de que o teto foi derrubado pelo próprio presidente Bolsonaro com tudo que foi feito no campo dos precatórios, orçamento secreto e medidas fura-teto. A política proposta é enfrentar à “luz do dia” o debate da qualidade dos gastos focando nas despesas que fazem mais sentido na construção de uma trajetória do endividamento crível ao longo do tempo, garantindo que as receitas e PIB crescerão mais do que a dívida.

Para isso, seria preciso uma abordagem de evolução do Orçamento no tempo, fazendo com que despesas menos “férteis” ao desenvolvimento perdessem participação no PIB e no Orçamento, enquanto investimentos ganham importância relativa.

No âmbito do investimento, a proposta é de mecanismos de contratação pública mais modernos, em parcerias com o mercado para alavancar recursos da iniciativa privada com garantias da União, em setores e serviços públicos que colaborarem mais na transição energética, mobilidade urbana, saneamento, tratamento de resíduos sólidos, habitação de interesse social, educação e saúde. Esse é um modelo que pressupõe o pagamento por disponibilidade de serviço para ampliação da oferta de serviços públicos essenciais, diferente de como é feito hoje.

No tema trabalhista, os empresários gostaram do sinal de que a revogação não implica uma volta ao passado, mas uma mudança que levará em conta a nova realidade do mercado de trabalho, acentuada pela pandemia. Os representantes do mercado têm gostado e apoiado as propostas, mas apresentam ceticismo quanto à sua aceitação dentro do PT. O que se espera é que essas lideranças empresariais e o PT saiam da toca e comecem a fazer o debate público. 

* REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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