Ranu Abhelakh/Reuters - 20/1/2022
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Ano de 2022 começou marcado pela criatividade em desonerações e isenções tributárias

O céu é o limite para a farra de medidas eleitoreiras saídas do laboratório de ideias dos governistas em Brasília

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2022 | 04h00

O céu é o limite para a farra de medidas eleitoreiras saídas do laboratório de ideias dos governistas em Brasília.

De forma despudorada, a mais nova receita recém-saída do forno é fazer uma zeragem dos impostos dos combustíveis e de energia para segurar na marra os preços e diminuir a inflação em 2022 – o ano de eleições.

Uma medida caríssima, temporária e que, é claro, não vai resolver o problema. Cálculos de analistas do mercado apontam um potencial de renúncia de R$ 240 bilhões, caso os Estados também entrem nessa onda.

Mas o discurso de nove entre dez políticos que frequentam os gabinetes da Esplanada dos ministérios é o de que a arrecadação está bombando.

Se 2021 foi o ano de dribles nas regras para aumentar as despesas, 2022 começou com a marca da criatividade pelo lado da desoneração de receitas e aumento das isenções tributárias.

O ano mal começou. Mas é preciso correr e correr porque a lei eleitoral impõe restrições de medidas a partir do segundo semestre. Na semana da aprovação da PEC dos Precatórios, a coluna cantou a bola de que a nova onda de farra fiscal viria pelo lado das receitas.

A despeito dos resultados das pesquisas que apontam o ex-presidente Lula na liderança na corrida ao Palácio do Planalto, o presidente Bolsonaro tem a caneta, e seus aliados, o comando do Congresso. Tudo isso regado pelas emendas de relator que não serão cortadas apesar de o Orçamento de 2022 ter sido aprovado com despesas obrigatórias subestimadas. Em conversa com a coluna, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, calcula que R$ 15 bilhões de despesas estão subestimadas, principalmente de Previdência.

Mas, na sanção do Orçamento, o presidente tomou a decisão de fazer o remanejamento de apenas R$ 3,1 bilhões. É mais problema pela frente. 

No ano passado, a coluna escreveu a plataforma de medidas que seriam adotadas pelo presidente Jair Bolsonaro. Eram tantas, que integrantes da equipe econômica disseram que nada daquilo seria feito. Pois bem, o script do roteiro traçado está acontecendo.

Menos até agora: a correção da tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), que está congelada desde 2015 e retirando renda dos assalariados. Por enquanto, nesse baile renovado da Ilha Fiscal, eles são os bobos da corte entre tantos que estão tirando o seu naco. 

*REPÓRTER ESPECIAL DE BRASÍLIA

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