Ueslei Marcelino/Reuters - 17/12/2021
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Guedes quer atrelar zerar tributos sobre combustíveis a veto a reajustes de servidores

A avaliação é de que é melhor reduzir o tributo para 200 milhões de brasileiros do que beneficiar 1,3 milhão de servidores do Executivo

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2022 | 23h25

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não se opõe à redução de tributos incidentes sobre os combustíveis e energia, mas quer aproveitar a discussão da proposta para reforçar a necessidade de o governo federal e os Estados barrarem o movimento generalizado de aumento de salários dos servidores.

Como economista liberal, ele disse a interlocutores que não tem como ser contrário à redução de impostos, desde que venha acompanhada da decisão do governo de vetar os reajustes salariais dos policiais, que geral uma bola de neve de pressão para que outras carreiras consigam também aumento com risco para as contas públicas em 2022. A avaliação é de que é melhor reduzir o tributo para 200 milhões de brasileiros do que beneficiar 1,3 milhão de servidores do Executivo. Como aumento salarial, o gasto seria permanente para os próximos anos.

Entre os técnicos da equipe econômica, no entanto, zerar impostos é considerado “caríssimo” em termos fiscais para a redução que pode proporcionar no litro dos combustíveis na bomba.

Guedes prefere, porém, a redução de impostos do que a criação de fundo estabilizador com recursos bancados pelo Tesouro para segurar os preços em momentos de alta. A equipe econômica considera esse instrumento de política de preços ineficaz e com grande impacto nas contas públicas.

A ideia em estudo é aprovar proposta legislativa para dispensar a necessidade de compensação com aumento de outros impostos da perda de arrecadação com a desoneração dos combustíveis e energia. A medida poderia ser adotada também pelos Estados.

As negociações para a redução dos tributos incidentes sobre combustíveis e a conta de luz partiram do Congresso. Em ano de eleições, há um incômodo geral do presidente Jair Bolsonaro e aliados políticos com o aumento dos preços.

*É REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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