Dida Sampaio/Estadão
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Prisão de ex-ministro deixou Brasília em estado de ebulição em meio à ofensiva contra a Petrobras

Na guerra com Bolsonaro, a visão convergente na empresa é de que os políticos querem lotear as diretorias com indicações políticas em busca de apoio para a reeleição

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2022 | 04h00

O impacto da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, acusado de favorecimento de pastores na distribuição de verbas, deu impulso extra para o governo e lideranças do Centrão abrirem de vez a caixa de Pandora e ampliarem os gastos no pacote de medidas de redução do impacto da alta dos combustíveis.

O mandado de prisão preventiva, que arrastou o presidente Bolsonaro para o escândalo de corrupção a poucos meses da eleição, deixou Brasília em estado de ebulição numa semana em que a ofensiva estava toda direcionada para colocar a Petrobras no córner.

A estratégia política de buscar a renúncia do presidente da estatal com a ameaça da CPI, aumento da tributação e mudanças na política de preços da companhia tinha como principal objetivo provocar um estado tal de confusão para garantir o subsídio aos caminhoneiros e motoristas de táxi.

A equipe econômica resistia e só tinha dado sinal verde se os gastos ficassem dentro do teto de gastos. Com a tentativa de mudança na Lei das Estatais, Guedes passou a negociar a bolsa-caminhoneiro e o aumento do vale-gás patrocinados pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. A conta já passou do teto de R$ 50 bilhões aceito pelo Ministério da Economia, e o auxílio prometido aos caminhoneiros, que estava em R$ 400, subiu para R$ 1 mil.

O céu é o limite e, pela enésima vez, o governo se vê envolvido na discussão sobre a necessidade de decretar o estado de calamidade para garantir a concessão do benefício sem riscos de questionamentos jurídicos em torno da lei eleitoral. As soluções vêm e voltam para o mesmo lugar. Como a coluna mostrou no sábado, a concessão do subsídio seria o resultado final da declaração de guerra contra a petrolífera.

Lira já começou a tirar o bode da sala que colocou ao falar de aumento de tributação das petroleiras (ele havia prometido dobrar a taxação da Petrobras). A proposta da CPI está com a coleta das assinaturas travada.

O que fica no radar e não sai é a proposta mudança na Lei das Estatais. Deve avançar mais cedo ou mais tarde.

Na Petrobras, a mudança na Lei das Estatais é a grande preocupação. Na guerra com Bolsonaro, a visão convergente na empresa é de que os políticos querem lotear as diretorias com indicações políticas em busca de apoio para a reeleição. O que os governistas querem é seguir na frente de batalha contra a estatal, até para tirar o foco do escândalo no MEC.

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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