Ou os servidores mostram, a partir de agora, a força que dizem ter ou correm

Os protestos de terça-feira serviram de teste para o governo medir o poder de articulação dos servidores

Adriana Fernandes* - O Estado de S.Paulo

Bolsonaro não desistiu de dar o reajuste para as três carreiras policiais do governo federal. Pelo contrário. Em ano de eleições, ele apenas deixa o barco correr com o discurso de que pode recuar do aumento na certeza de esfriamento do movimento das outras categorias, que buscam também o aumento nos seus salários depois do congelamento em 2020 e 2021. 

O dia de mobilização de mais 40 categorias em todo o País na última terça-feira acabou servindo de teste para o governo medir a temperatura do poder de articulação dos servidores. Os serviços públicos não pararam na dimensão que alardearam, e os servidores da Receita, que tinham puxado o movimento, ficaram de fora dos atos programados em todo o País. 

Os auditores, que têm os salários mais altos do Executivo, deixaram os colegas a ver navios no protesto de terça-feira. Foto: Guilherme Pimenta/Estadão - 18/1/2022

Em terra de ninguém, é cada um por si. Os auditores não só não participaram dos protestos como também fizeram questão de deixar claro que a pauta de aumento salarial não era a deles. Ou seja, deixaram os colegas a ver navios. Sob nova direção desde o início do ano, o sindicato da categoria, o Sindifisco, ficou em silêncio.

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Os auditores, que estão no topo dos salários mais altos do Executivo, querem a regulamentação do bônus de eficiência, o BEP, uma gratificação paga mensalmente vinculada às metas de produtividade. Uma forma encontrada para elevar a remuneração sem aumento.

Os servidores do Fisco reclamam que os advogados públicos recebem os honorários de sucumbência, uma remuneração paga pelos casos em que foram vitoriosos em disputas que representam a União. Um bônus que aumenta, em média, R$ 10 mil o salário mensal dos advogados públicos.

Essa é uma disputa travada desde 2016. Os auditores receberam a sinalização do governo que o bônus deverá regulamentado e, por isso, se distanciaram.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que até agora só recebeu os representantes dos auditores da Receita, segue a toada do presidente de arrastar a solução do problema.

Dinheiro o ministro já disse que não tem para todo mundo. No máximo, poderá tentar repor para R$ 2,5 bilhões a reserva para reajustes que consta na lei orçamentária, de R$ 1,7 bilhão. Aí, caberia o bônus da Receita, que custaria cerca de R$ 400 milhões em 2022.

O problema é que os auditores do trabalho e os agropecuários também querem o mesmo. E a roda da disputa pela bonificação continuará.

As diversas carreiras de servidores ou mostram, a partir de agora, a força que dizem ter ou correm. Eles falam em greve em fevereiro. É quando o Congresso volta ao trabalho. Mas no Brasil, mesmo com pandemia, o ano só começa mesmo depois do carnaval.

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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Ou os servidores mostram, a partir de agora, a força que dizem ter ou correm

Os protestos de terça-feira serviram de teste para o governo medir o poder de articulação dos servidores

Adriana Fernandes* - O Estado de S.Paulo

Bolsonaro não desistiu de dar o reajuste para as três carreiras policiais do governo federal. Pelo contrário. Em ano de eleições, ele apenas deixa o barco correr com o discurso de que pode recuar do aumento na certeza de esfriamento do movimento das outras categorias, que buscam também o aumento nos seus salários depois do congelamento em 2020 e 2021. 

O dia de mobilização de mais 40 categorias em todo o País na última terça-feira acabou servindo de teste para o governo medir a temperatura do poder de articulação dos servidores. Os serviços públicos não pararam na dimensão que alardearam, e os servidores da Receita, que tinham puxado o movimento, ficaram de fora dos atos programados em todo o País. 

Os auditores, que têm os salários mais altos do Executivo, deixaram os colegas a ver navios no protesto de terça-feira. Foto: Guilherme Pimenta/Estadão - 18/1/2022

Em terra de ninguém, é cada um por si. Os auditores não só não participaram dos protestos como também fizeram questão de deixar claro que a pauta de aumento salarial não era a deles. Ou seja, deixaram os colegas a ver navios. Sob nova direção desde o início do ano, o sindicato da categoria, o Sindifisco, ficou em silêncio.

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Os auditores, que estão no topo dos salários mais altos do Executivo, querem a regulamentação do bônus de eficiência, o BEP, uma gratificação paga mensalmente vinculada às metas de produtividade. Uma forma encontrada para elevar a remuneração sem aumento.

Os servidores do Fisco reclamam que os advogados públicos recebem os honorários de sucumbência, uma remuneração paga pelos casos em que foram vitoriosos em disputas que representam a União. Um bônus que aumenta, em média, R$ 10 mil o salário mensal dos advogados públicos.

Essa é uma disputa travada desde 2016. Os auditores receberam a sinalização do governo que o bônus deverá regulamentado e, por isso, se distanciaram.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, que até agora só recebeu os representantes dos auditores da Receita, segue a toada do presidente de arrastar a solução do problema.

Dinheiro o ministro já disse que não tem para todo mundo. No máximo, poderá tentar repor para R$ 2,5 bilhões a reserva para reajustes que consta na lei orçamentária, de R$ 1,7 bilhão. Aí, caberia o bônus da Receita, que custaria cerca de R$ 400 milhões em 2022.

O problema é que os auditores do trabalho e os agropecuários também querem o mesmo. E a roda da disputa pela bonificação continuará.

As diversas carreiras de servidores ou mostram, a partir de agora, a força que dizem ter ou correm. Eles falam em greve em fevereiro. É quando o Congresso volta ao trabalho. Mas no Brasil, mesmo com pandemia, o ano só começa mesmo depois do carnaval.

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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