Advent paga R$ 1 bi pela distribuidora Allied

Gestora americana comprou 75% da empresa de SP, especializada em produtos de tecnologia

CÁTIA LUZ, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2014 | 02h05

Depois de mais de um ano de negociações, a gestora americana Advent fechou ontem a compra do controle da Allied S.A., maior distribuidora independente de celulares do Brasil. A gestora adquiriu a fatia da empresa que pertencia à One Equity Partners (OEP), braço de private equity do JPMorgan Chase, que está em processo de separação do banco americano. O valor do negócio e o porcentual de participação não foram divulgados.

Fontes de mercado, no entanto, afirmam que a gestora americana comprou 75% da companhia paulista por cerca de R$ 1 bilhão. Fundada em 2001 pela família Radomysler, a Allied distribui equipamentos de tecnologia, como celulares, tablets, notebooks, câmeras e consoles de videogames para mais de 15 mil pontos de venda em todo o País.

Dona de um faturamento de R$ 3,5 bilhões, a empresa tem cerca de 3,7 mil clientes, entre varejistas, fabricantes de equipamentos e clientes corporativos. Além de fazer a distribuição produtos, a companhia oferece serviços de valor agregado para as quatro maiores operadoras de telefonia do Brasil: Claro, Oi, TIM e Vivo.

Mesmo com a compra, os irmãos Ricardo Radomysler, presidente da Allied, e Marcelo Radomysler, diretor de operações, continuarão tocando a companhia. A operação deve ser finalizada no primeiro trimestre do próximo ano.

Internacionalização. Segundo Patrice Etlin, sócio-diretor do Advent na América Latina, a empresa triplicou de tamanho nos últimos quatro anos, mas ainda tem muito espaço para crescer. "Vamos reforçar a área financeira e, além da expansão no mercado brasileiro, estamos focados na internacionalização da empresa", afirma Etlin. "Já estamos avaliando uma oportunidade na Colômbia."

O investimento na Allied foi o terceiro negócio da Advent no Brasil em 2014 (ler box acima). "Neste ano de crescimento zero da economia brasileira, a gente tem procurado negócios que cresçam independentemente do cenário macroeconômico."

De acordo com o executivo, a expansão da Allied se dará por questões estruturais do mercado brasileiro. Primeiro, pela substituição natural dos celulares por smartphones. Hoje, da base instalada de celulares no País, de cerca de 200 milhões de aparelhos, apenas 30% são de smartphones. Segundo, pela saída gradual das operadoras do mercado de distribuição. Há quatro anos, elas representavam 70% das vendas de celulares no País. Hoje, essa participação é de 30% e deve cair ainda mais, aumentando o espaço das varejistas neste mercado.

"Essa é uma tendência que vem se consolidando há pelo menos cinco anos", afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. "As operadoras praticamente saíram desse negócio. Voltaram um pouco recentemente apenas para estimular o uso do smartphone, na ideia de usar isso como um instrumento de marketing. Mas isso (a venda de aparelhos) já não é mais interessante para as operadoras principalmente desde a regra que determinou que os celulares não podem ser vendidos bloqueados. Ou seja, o aparelho deixou de ser um instrumento de fidelização."

As empresas foram proibidas de vender aparelhos bloqueados em 2012. O Ministério Público Federal (MPF), à época, entendeu que o bloqueio de celulares era o meio de se obter uma fidelização forçada que obrigava o consumidor a ficar ligado a uma única operadora. As operadoras subsidiavam o aparelho em troca da permanência do cliente em sua base.

Amadurecimento. Por envolver a venda de um ativo de um fundo de private equity para outro fundo, a operação da Allied indica ainda um amadurecimento do mercado brasileiro de private equity.

"Esse tipo de operação representa cerca de 70% dos negócios feitos por meus pares em mercados como Europa e Estados Unidos. No Brasil, é ainda uma exceção", afirma Etlin.

Foi com uma operação como essa que a gigante Kohlberg Kravis Roberts (KKR), um dos maiores private equity do mundo, entrou no Brasil em abril deste ano. A gestora americana comprou uma fatia majoritária da Aceco, empresa que constrói data centers, que pertencia ao fundo General Atlantic. / COLABOROU NAYARA FRAGA

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