Advogado acusa ex-donos por desfalque no Noroeste

O ex-diretor da área Internacional do banco Noroeste, Nelson Sakagushi, acusado de ser o principal autor do desfalque de US$ 240 milhões descoberto quando o banco foi vendido em 1997 para o Santander, não tinha acesso aos códigos que lhe permitiriam executar as remessas milionárias que fez entre os anos de 1994 e 1997. Esta afirmação teria sido feita hoje pela funcionária que trabalhou com Sakagushi no banco, Miriam Marion Peluzo, durante o depoimento ao juiz suíço Daniel De vaud, que está no Brasil investigando o caso.A revelação do teor do depoimento de Míriam foi feita pelo advogado de Sakagushi no Brasil, Alfredo das Neves Filho. "A afirmação dela confirma a nossa tese de defesa, a de que Sakagushi não poderia ter realizado aqueles vultuosos movimentos de dinheiro se não tivesse sido orientado diretamente pelos ex-controladores do banco (das famílias Simonsen e Cochrame)", disse o advogado.O advogado dos ex-controladores, Domingos Refinetti, que também acompanhou os depoimentos feitos hoje ao juiz suíço no Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, afirmou que o depoimento de Míriam também teria confirmado a "intensa relação" que Sakagushi mantinha com os suspeitos de integrarem uma quadrilha de lavagem de dinheiro na Nigéria. "Miriam passou a ter acesso aos telefones e fax de Sakagushi, logo que ele foi afastado do banco. E ela confirmou que ele recebeu vários telefonemas e fax de supostas autoridades nigerianas falando de transferências de dinheiro para contas de gente daquele país", disse Refinetti.A maior parte do dinheiro originado do desfalque passou pelas contas bancárias de nigerianos. Dois integrantes da quadrilha nigeriana, assim como Sakagushi, estão presos na Suíça, sob acusação de lavagem de dinheiro e fraude contra o sistema financeiro. Míriam não quis falar sobre o depoimento.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.