Advogado do Opportunity alega cerceamento da defesa

O advogado Nélio Machado, do Rio de Janeiro, um dos juristas que assessoram o Grupo Opportunity, disse que foi surpreendido pelos mandados de busca e apreensão cumpridos hoje pela Polícia Federal nas sedes do próprio Grupo e da Kroll e nas residências do sócio do Grupo Daniel Dantas e da presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco. Ele se encontrava em Brasília para cuidar de outros assuntos e foi informado apenas pela reportagem da Agência Estado de que houve prisões na Kroll, que ele desconhecia.Ele disse que, ao tomar conhecimento do cumprimento dos mandados, sua primeira providência foi acionar uma advogada com a qual trabalha na capital paulista, mas ela não teve acesso à ordem judicial. "O que aconteceu não é muito razoável", afirmou. "Eu advogo no crime há 30 anos, desde a época do regime militar. A Carta de 1988 preconiza que deva haver publicidade da prestação jurisdicional. Ao advogado não pode ser vedado acesso a qualquer feito. Pode haver sigilo para terceiros, mas para o advogado, não".Machado disse considerar a medida "precipitada" e "pouco razoável", mesmo porque ninguém foi chamado para prestar depoimento. O fato de não conseguir acesso ao despacho do juiz - e, portanto, não ter podido agir a tempo para tomar providências - caracteriza, segundo Nélio Machado, cerceamento de sua liberdade como advogado e será um forte argumento na defesa de seu cliente.Quanto à contratação da Kroll pela Brasil Telecom, operadora administrada pelo Grupo Opportunity, para conseguir informações sobre a Telecom Itália, empresa com a qual disputava o controle da operadora de telefonia, Nélio Machado disse que, na época em que isto aconteceu, houve a presunção de lisura quanto aos métodos de trabalho da Kroll, até porque se trata de empresa reputada internacionalmente.

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