Issei Kato / Reuters
Issei Kato / Reuters

Advogados de Ghosn querem que julgamento seja separado da Nissan para garantir mais justiça

Segundo eles, ao lado da empresa, o executivo não conseguiria uma audiência justa para combater as acusações de irregularidades financeiras

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 10h42

TÓQUIO - Advogados de Carlos Ghosn pediram a um tribunal de Tóquio nesta terça-feira, 2, que julgue o ex-chefe da Nissan Motor Co. separadamente de seu ex-empregador, sob o argumento de que ele não conseguiria uma audiência justa para combater as acusações de irregularidades financeiras.

O pedido marca a primeira grande manobra legal da nova equipe jurídica de Ghosn desde sua libertação sob fiança em março, enquanto enfrenta acusações crescentes de má conduta financeira durante seu tempo no comando da Nissan e dos parceiros Renault S.A. e Mitsubishi Motors, um dos maiores grupos de fabricantes de automóveis do mundo.

O caso abalou a indústria automobilística global e fez cair em desgraça um executivo que era elogiado por seu resgate da Nissan à beira da falência, duas décadas atrás.

Os promotores de Tóquio acusaram Ghosn e Greg Kelly, um colaborador próximo que atuou como diretor do conselho da Nissan, de má conduta financeira. A Nissan também está incluída na acusação por fazer divulgações falsas em relatórios anuais de valores mobiliários, pelos quais a empresa expressou arrependimento.

"Não importa como você olhe, ter Ghosn sentado ao lado da Nissan no julgamento seria peculiar, isso iria contra o seu direito a um julgamento justo", disse o principal advogado de defesa do executivo, Junichiro Hironaka, em uma entrevista coletiva.

Prisão

Ghosn foi preso em Tóquio em novembro, depois que a Nissan disse aos promotores que sua própria investigação descobriu evidências dos erros dele. O executivo passou mais de 100 dias em um centro de detenção antes de ser libertado sob o pagamento da fiança no valor de US$ 9 milhões em março. Ghosn, agora destituído como presidente da Nissan, nega as acusações, assim como Kelly.

O executivo enfrenta acusações criminais no Japão por não reportar cerca de US$ 82 milhões em salário da Nissan, e por transferir temporariamente perdas financeiras pessoais para os livros da companhia durante a crise financeira global.

"É certo que seus advogados não querem que Ghosn seja julgado pela Nissan. A Nissan se declarará culpada e isso influenciará claramente o clima do julgamento", disse Nobuo Gohara, advogado que comanda o Escritório de Compliance e Direito Gohara, que não está envolvido no caso Ghosn. / Reuters

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