Advogados querem cela especial para Cacciola

Ex-banqueiro ficou oito anos foragido da Justiça, acusado de causar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao BC

Daniele Carvalho, de O Estado de S. Paulo,

17 de julho de 2008 | 09h49

A defesa do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, extraditado na manhã desta quinta-feira, 17, ao Brasil, vai apelar à administração penitenciária do Rio para que seja disponibilizado uma cela especial para ex-dono do Banco Marka. Segundo a defesa, o presídio não dispõe de instalações presidiárias para presos com nível superior.   Veja também: Na chegada ao Brasil, Cacciola afirma que não era um foragido Após extradição, Cacciola diz que errou ao ir para Mônaco Sem algemas e descontraído, Cacciola aguarda retorno ao Brasil Entenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola   Os advogados também vão se dirigir à Secretaria Estadual de Segurança para solicitar a permanência do réu no presídio de Água Santa, zona norte do Rio. De acordo com um dos advogados, Alan Bousso, caberá à administração penitência do Rio decidir qual presídio o ex-banqueiro ficará preso.   Além do presídio de Água Santa, ele poderia ser encaminhado para Bangu 8. Mas de acordo com os advogados o ex-banqueiro prefere a permanência em Água Santa por ser uma instalação que oferece um acesso mais fácil à sua família, em termos de localização.   O ex-banqueiro ganhou o direito de não usar algemas na chegada ao Brasil, por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Gomes de Barros, que atendeu ao pedido dos advogados do ex-banqueiro. A decisão foi encaminhada na quarta-feira, 16, no fim da tarde, ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e à direção da PF.   Cacciola ficou oito anos foragido da Justiça brasileira, acusado de causar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central quando era dono do Banco Marka.   A autorização para a extradição havia sido homologada pelo príncipe Albert II, de Mônaco, há 13 dias, e desde então o Ministério da Justiça negociava com a França a autorização para transitar com um preso pelos aeroportos de Nice e Paris. O último recurso ao Tribunal Supremo do principado, com o qual ameaçava o defensor monegasco de Cacciola, Frank Michel, não se confirmou.   Operação   A operação montada pela Secretaria Nacional de Justiça para transferi-lo começou às 10h20 de quarta-feira, no principado. Um grupo de sete pessoas, entre as quais um adido consular, um promotor e agentes da PF, encontraram-se com o diretor de Serviços Penitenciários, Philippe Narmino, no Palácio de Justiça de Mônaco.   Pouco depois das 13h30, horário local - 8h30 em Brasília -, Cacciola deixou a prisão Maison d'Arrêt, na qual viveu desde 15 de setembro. A seguir, ele foi transferido em helicóptero para o Aeroporto Internacional de Nice-Côte d''Azur, em Nice, no sul da França, quando teve seu primeiro contato com o público. Passava das 16 horas quando Cacciola embarcou no vôo AF 7715 da Air France.   A movimentação de policiais franceses chamou atenção dos que esperavam o embarque. Nesse momento, Cacciola permaneceu cerca de 20 minutos exposto ao público, que reagia curioso e tirando fotografias. O empresário não se mostrou constrangido com o assédio dos fotógrafos, mas não quis falar aos jornalistas.   Já no Airbus A320, Cacciola sentou-se cercado de dois policiais. Pediu suco de maçã e permaneceu sentado quase todo o vôo, levantando-se apenas para ceder passagem a um dos delegados da PF que sentava à janela. Na chegada a Paris, foi protegido dos fotógrafos e levado a uma zona de segurança do terminal A do Aeroporto Charles de Gaulle. Lá, embarcou, às 22 horas, no vôo JJ 8055 da TAM com destino ao Rio de Janeiro, cidade que deixou em 2000, antes de partir para o Paraguai e, em seguida, para Roma, onde viveu em liberdade até 2007.

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