AEB: preço das matérias-primas é alerta para o País

O ajuste dos preços das matérias-primas (commodities) iniciado de forma intensa na semana passada deverá arrefecer nos próximos dias e terá impacto nas exportações brasileiras no início do segundo semestre, segundo avalia o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para ele, a queda na cotação das commodities é um "sinal de alerta" para o Brasil e sua forte dependência desses produtos para obtenção de bons resultados na balança comercial.O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) também divulgou no final da semana passada relatório no qual destaca que a crise no mercado de commodities mostra "ser o canal através do qual a atual turbulência internacional poderá afetar as economias emergentes".Augusto de Castro exemplifica que a fragilidade do comércio exterior brasileiro, em conseqüência da forte dependência das commodities, pode ser medida pela comparação com a composição da pauta de exportações de outros Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, China e Índia, países emergentes que devem superar as maiores nações até 2050). Enquanto o Brasil tem 35% das vendas externas compostas de manufaturados, na China o porcentual de manufaturados chega a 90% e na Índia, a 70%. "O comércio exterior brasileiro depende das commodities, mas a cotação das commodities não depende do Brasil", disse o executivo da AEB.Segundo Augusto de Castro, o ajuste nas commodities afetará sobretudo as commodities metálicas, já que os alimentos prosseguem em alta por causa da demanda que ainda permanece forte no mercado internacional.Para o vice-presidente da AEB, as exportações brasileiras serão afetadas de três formas diferentes com esse ajuste: na queda do valor das exportações para os Estados Unidos, cujo destaque são exatamente as commodities; na redução do valor das exportações para os demais parceiros comerciais e, ainda, no recuo das vendas de manufaturados para países sul-americanos.Segundo semestreAinda que espere uma queda bem menor da cotação das commodities esta semana, em relação ao forte recuo ocorrido na semana passada, Augusto de Castro acredita que ainda há "uma gordura de 10% a 20%, dependendo do produto" nos preços a ser queimada no mercado, o que poderá ocorrer nos próximos meses.Segundo ele, as exportações brasileiras serão afetadas por esse ajuste a partir de julho, mas alguns produtos deverão se manter quase à margem da crise, como a soja, que deverá registrar um crescimento real de preços em 2008. Para Augusto de Castro, o momento é uma oportunidade para que o governo busque solução para tornar mais competitivas as exportações de manufaturados do País, buscando reduzir a dependência das commodities.

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