Aécio: governadores não foram consultados sobre medidas

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reclamou nesta segunda-feira, em Brasília, que os governadores não chegaram a ser consultados sobre as propostas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da economia, que foi anunciado durante a manhã pelo governo federal. "Não fomos consultados em relação a nenhuma das medidas. Eu acho que um dos problemas maiores do Brasil hoje é a falta de complementariedade de vinculação dos investimentos dos estados com os investimentos da União", disse.Pouco antes do anúncio, o governador mineiro disse esperar que as medidas não signifiquem "novos ônus para os Estados". "Talvez seja a oportunidade para discutirmos juntos quais as prioridades de cada estado, sem preocupação com a paternidade dos investimentos, porque, certamente, esses sairiam mais rápido e até com custo menor", afirmou.Para Aécio, a expectativa é de que haja uma convergência entre as propostas dos Estados e do governo federal, em uma alusão às demais reformas estruturais. "Acho que haverá uma convergência maior até lá. Estamos todos aqui hoje num gesto de boa vontade. É importante que o Brasil cresça, é importante que gere mais empregos, que os estados se desenvolvam". E reiterou: "mas eu acho que faltou uma consulta, um diálogo prévio com os governadores em relação aos investimentos dos estados".Nova reuniãoOs governadores devem se reunir nesta segunda, durante almoço, para discutir as medidas detalhadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), afirmou que há uma preocupação dos governadores com relação a alguns pontos apresentados. "Há uma preocupação em relação às obras que serão consideradas prioritárias e o que a desoneração poderá afetar nos fundos dos municípios e dos estados", afirmou Arruda, referindo-se ao fundo de participação dos municípios e dos estados, que é transferência constitucional de alguns impostos.Arruda considerou que teria sido mais interessante que os governadores tivessem sido ouvidos antes do anúncio das medidas e disse que a reunião pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi "um gesto de elegância do presidente, mas que não houve propriamente uma conversa". O governador afirmou que vê como positivo o fato do presidente reconhecer que o País está crescendo menos do que poderia com o cenário internacional favorável. Arruda considerou que muitas das medidas são importantes, "apesar de óbvias".O almoço será em Águas Claras, na residência oficial do governo do Distrito Federal. OposiçãoAo todo, 25 governadores estavam presentes à cerimônia de apresentação do PAC. Participaram da solenidade, inclusive, governadores de oposição, como o de São Paulo, José Serra (PSDB) e o de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse que o presidente Lula, na reunião reservada que teve antes com os 25 governadores, apresentou-lhes as linhas gerais do PAC. Aliado ao governo, Campos disse acreditar que as medidas legislativas previstas no PAC não deverão ter problemas para tramitar no Congresso.Com Leonardo Goy

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