Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO
Sem emprego desde abril, Franchin cortou viagens internacionais Tiago Queiroz | ESTADÃO CONTEÚDO

Aéreas tentam se adaptar à demanda menor

O administrador de empresas Rodrigo Franchin, de 35 anos, viajou de férias com a esposa para o exterior nos últimos sete anos. Ele já foi para a Turquia, Grécia, França e para vários países da América do Sul. Em julho, tinha viagem marcada para a Europa, mas teve de cancelar. Franchin foi demitido em abril e está procurando emprego. “Minha esposa está grávida. Queríamos viajar antes de o bebê nascer. Mas é melhor segurar. Não sabemos o que vai acontecer no País”, diz Franchin, que gastava de R$ 30 mil a R$ 40 mil por ano com viagens. “Este ano, vai ser zero.”

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2016 | 05h00

Ele trabalhou por dez anos em uma empresa de telecomunicações como gerente de distribuição e logística. Com o fechamento da fábrica e a terceirização de serviços logísticos, a função dele deixou de ser necessária e ele foi demitido. A nova realidade obrigou Franchin a rever os gastos não essenciais, como as viagens. Além de férias no exterior, ele e a esposa viajavam pelo Brasil durante os feriados, hábito que também foi suspenso agora.

Franchin é apenas um dos muitos brasileiros que deixaram de viajar de avião diante da crise econômica. Nos últimos oito meses consecutivos, o tráfego de passageiros nos voos nacionais se retraiu, revertendo uma tendência de crescimento dos anos anteriores. Em março, o número de passageiros caiu 8,43% na comparação com o mesmo mês de 2015.

Antes do passageiro de lazer, o viajante corporativo cortou voos, movimento crescente desde meados de 2014. Para preencher os espaços vazios nos aviões, as companhias aéreas lançaram promoções e reduziram em 19% o preço da passagem aérea nacional em 2015. “Mas, a partir de agosto de 2015, a crise atingiu também o passageiro que viaja a lazer”, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. “A demanda por passagem aérea está ligada à economia. O aumento do desemprego, a recessão e a falta de confiança do consumidor afetam negativamente as vendas”, completou.

Como clientes que antes eram presença constante nos aeroportos deixaram de voar, as empresas aéreas tiveram de fazer ajustes mais drásticos. Só a Gol e a Azul vão retirar, cada uma, cerca de 20 aviões de sua frota este ano. A previsão da Abear é que a demanda por passagem aérea em 2016 volte aos níveis de 2012 ou 2013 e o crescimento só seja retomado no segundo semestre de 2017.

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