Aeromot tenta produzir motoplanador Ximango na China

Há uma empresa da aviação nacional se preparando para aterrissar na China. Não, desta vez não é a Embraer. A gaúcha Aeromot Aeronaves e Motores negocia com a estatal China National Guizhou um acordo para fundar, na província de Guizhou, uma empresa com 30% de capital brasileiro para fabricar lá o motoplanador Ximango. O criador da Aeromot, Cláudio Barreto Viana, negocia a transferência de tecnologia do planador motorizado, uma exigência do governo chinês. A intenção é produzir inicialmente 150 aeronaves, das quais 50 já em fins de 2004 e 100 dentro de cinco anos. Segundo o empresário, os chineses se encantaram com a tecnologia utilizada no Ximango, avião que traz o nome de uma espécie de falcão que voa no sul do Brasil e na Argentina. "Ele é composto por fibra de vidro e carbono, e os chineses não conheciam essa tecnologia". Aos 61 anos, Viana está acostumado com negociações internacionais. O Ximango já foi exportado para 15 países - até para o Irã, há oito anos. Ele conta que os executivos desses países adoram o nome Ximango, que, apesar de exótico, é sempre o escolhido para o nome fantasia das empresas.Mas o ingresso na China tem um gosto especial. "É um mercado difícil de entrar", diz. Viana se comunica com os chineses por e-mail e fax e ainda está se acostumando com a língua. O engenheiro acredita que os chineses demonstram maior entusiasmo por negociações com países emergentes do que com nações ricas, como os EUA."Gurizada" dos EUAAo todo, já foram vendidos 140 aviões para 15 países. A Aeromot entregou, recentemente, o décimo Ximango de um total de 14 vendidos para a Academia da Força Aérea dos EUA (USFA), num contrato de US$ 2,5 milhões, fechado em 2001. Assim como os demais, os próximos quatro aviões vão empreender uma viagem de cinco dias de Porto Alegre até os EUA, parando por diversos países das Américas. Nos EUA, serão usados no treinamento inicial dos pilotos americanos. "É com o Ximango que a ´gurizada´ da Academia vai fazer a travessia dos EUA", conta, orgulhoso, o presidente de Aeromot. Viana disputou a concorrência com a Diamond, fabricante de motoplanadores que pertence à canadense Bombardier, feroz concorrente da Embraer. "É bom ganhar de cachorro grande", brinca o empresário. Atualmente, 35 aviões da Aeromot já sobrevoam o céu americano.Fundada em 1967, a Aeromot tem sede em Porto Alegre e uma unidade no Campo de Marte, em São Paulo. A empresa faturou US$ 15 milhões no ano passado. Com 200 funcionários, fabrica o motoplanador Ximango AMT desde 1986. A Aeromot também atua em outros nichos, como o projeto dos assentos para o Bandeirante, da Embraer. A empresa também faz a manutenção de aeronaves para diversos clientes, setor que responde por 30% a 40% da receita da companhia.Fabricado pela Aeromot desde 1986, o Ximango é um planador motorizado construído a partir do planador RF10, criado nos anos 80 pela francesa Aerostructure. Viana, comprou os direitos de produzir o RF 10 no País. O Ximango custa US$ 140 mil, voa até 7 mil km sem precisar reabastecer e atinge até 200 km por hora. Leia mais sobre o setor de Transportes e Logística no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

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