Aeroportos da Copa estão sem os projetos básicos e com prazos fictícios

Documento da Infraero fixa tempo muito curto entre início de projetos e começo das obras e para alguns ainda falta licença ambiental 

Marta Salomon, de O Estado de S. Paulo,

22 de julho de 2010 | 07h01

Documento da Infraero, estatal que controla os aeroportos do País, prevê intervalo de apenas seis meses entre o início da elaboração do projeto, recém-licitado, e o início das obras do terceiro terminal de passageiros do aeroporto internacional de Guarulhos.

Essa é a obra mais cara do pacote destinado às cidades-sede da Copa, e seu cronograma – difícil de ser cumprido - dá uma ideia dos riscos de os investimentos de R$ 5 bilhões programados pelo governo até 2014 não ficarem prontos a tempo.

Obra em São Gonçalo do Amarante (RN), onde falta definir modelo de concessão

No intervalo de seis meses previsto no cronograma do aeroporto de Cumbica, os projetos terão de ser detalhados e uma nova licitação precisará ser feita para a obra bilionária. Dos 13 aeroportos que passarão por obras em 12 cidades-sede até a Copa, são quatro os que nem sequer contam com projetos até agora, mostra documento da Infraero a que o Estado teve acesso.

Um número ainda maior de aeroportos do pacote (sete) têm o início das obras programado entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2012, a pouco mais de um ano da Copa das Confederações, torneio que antecede a Copa.

O único aeroporto que já tem obras iniciadas é o Galeão, no Rio de Janeiro, mas já com atraso registrado em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).

Entre os aeroportos que receberão investimentos por causa da Copa, o novo aeroporto de Natal, São Gonçalo do Amarante, enfrenta situação particular. Por ora, a obra da pista avança sem definição de quem vai construir e operar o terminal de passageiros para o embarque e o desembarque dos voos. O aeroporto será objeto de concessão à iniciativa privada – a primeira do país –, cujo modelo ainda passa por definição no governo.

Há duas semanas, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, apontou os aeroportos como o principal obstáculo à infraestrutura do próximo mundial. "Os três grandes problemas que temos para a Copa são aeroporto em primeiro, aeroporto em segundo e aeroporto em terceiro".

O presidente Lula reagiu e chamou de "descabida" a preocupação com os preparativos da Copa. Documentos da Infraero mostram, porém, que há motivos para a inquietação.

Questionada, a estatal respondeu, por meio da assessoria, que "se empenha" em realizar os trabalhos previstos em seu plano de investimentos. Sobre a obra em Cumbica, a Infraero informou que pode começar a construção do terceiro terminal sem que o projeto esteja completamente concluído, porque a obra tem mais de uma fase. O cronograma prevê o início das obras em janeiro do ano que vem.

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