AES espera para breve socorro do governo para distribuidoras

Presidente da AES Brasil diz que concessionárias precisam de ajuda financeira por causa dos preços elevados

Wellington Bahemann, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2014 | 02h08

RIO - O presidente do grupo AES Brasil, Britaldo Soares, afirmou que a companhia trabalha com a expectativa que o governo federal anuncie nos próximos dias o socorro financeiro às distribuidoras. O grupo americano controla no Brasil as distribuidoras AES Eletropaulo e AES Sul e as geradoras, AES Uruguaiana e AES Tietê.

As distribuidoras brasileiras estão muito pressionadas pela falta de contrato para atender 100% de seu mercado. A parcela descontratada tem sido suprida no mercado à vista, cujo preço do megawatt/hora (MWh) está em R$ 822. Além disso, elas tem de arcar com os custos elevados da energia térmica, colocadas em operação para preservar o nível dos reservatórios. "Essa não é uma solução só para as empresas de distribuição, mas para todo o setor elétrico", disse o executivo, durante teleconferência com analistas financeiros e investidores para comentar o resultado do grupo.

O executivo reforçou a necessidade de uma ajuda financeira às distribuidoras nesse momento crítico dos reservatórios. "As distribuidoras não têm margem para suportar os custos que estão incorrendo", argumentou o executivo.

Embora reconheça que a solução para o segmento passe por um acerto de contas entre aquilo que o setor elétrico busca e as necessidades fiscais da União, Soares afirmou que há um entendimento dentro do governo sobre a importância de se ajudar as concessionárias. Um sinal positivo, em sua avaliação, foi a postergação do depósito das garantias financeiras para a liquidação das operações do mercado à vista de janeiro deste ano, que era previsto para ocorrer no último dia, mas foi adiado para o dia 11 de março, um dia antes da liquidação.

Nesse contexto, o executivo espera que o governo federal anuncie uma solução equilibrada, de modo a garantir a sustentabilidade de toda a cadeia do setor elétrico. O executivo afirmou que a solução poderia ocorrer de duas formas. "Ou poderia ter um aporte de recursos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) ou uma movimentação tarifária que recomponha o caixa das distribuidoras", afirmou. Em 2013, o governo usou a CDE, mediante o aporte de recursos do Tesouro Nacional, para socorrer financeiramente as concessionárias de distribuição.

Uruguaiana. O presidente da AES afirmou ainda que a termelétrica a gás natural Uruguaiana (RS) entrará em operação, em caráter emergencial, a partir da primeira semana de março. "Vamos produzir entre 140 MW médios e 250 MW médios", afirmou o executivo. A produção de energia vai depender da disponibilidade de gás.

Neste primeiro momento, o volume a ser ofertado à térmica será de 1,2 milhão de metros cúbicos por dia (m³/d). O gás virá ao País da Argentina e será suprido pela Petrobrás, que vai importar gás natural liquefeito (GNL) e injetá-las em território argentino. A retomada da operação da térmica por dois meses, até abril, foi autorizada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) na última reunião.

A entrada em operação de Uruguaiana vai reforçar o suprimento de energia da região Sul do País, que tem importado oferta de outras partes do País para atendimento da demanda e para tentar diminuir o nível de redução do volume de água armazenado nos reservatórios da região.

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