AES não descarta Três Irmãos; e foca em eficiência na Distribuição

O grupo AES Brasil não descarta interesse na hidrelétrica Três Irmãos e no segmento de distribuição de energia concentrará investimentos para melhoria da eficiência, diante dos desafios para aprimoramento da qualidade de serviço estabelecidos pelo regulador.

ANNA FLÁVIA ROCHAS, Reuters

24 de abril de 2013 | 15h47

A AES Brasil vê sinergias entre a hidrelétrica Três Irmãos e ativos da AES Tietê, mas ainda não definiu se disputará o direito de operar a usina no futuro leilão.

"A gente está acompanhando. Faz sentido porque é em São Paulo e a gente tem toda a base da AES Tietê aqui para alavancar em cima dela... mas eu diria que a gente teria bastante sinergia", disse o presidente do grupo, Britaldo Soares, a jornalistas, após evento na sede da empresa, nesta quarta-feira.

A hidrelétrica Três Irmãos é atualmente operada pela geradora estatal paulista Cesp, que não aceitou a renovação da concessão da usina nos termos estabelecidos pelo governo federal, com redução na remuneração para operar o ativo.

A expectativa é de que o leilão da usina ocorra em breve, segundo já afirmou o governo federal, que definiu recentemente um valor de cerca de 29,3 milhões de reais para que a Cesp opere a usina até o leilão.

A AES Tietê, empresa de geração de energia do grupo AES, já opera seus ativos com custo bastante competitivo, segundo Britaldo. Mas o executivo disse que ainda não é possível avaliar com detalhes, com base no valor estabelecido para que Cesp opere a usina, os ganhos que a AES poderia obter com a operação de Três Irmãos para eventualmente decidir disputá-la.

"A conta vai ser: que tipo de sinergia e margem que se consegue ter. Tem que operar a custos bem mais baixos. É o jogo de eficiência da operação", disse Britaldo.

DISTRIBUIÇÃO

No segmento de distribuição de energia, o grupo AES não está avaliando expansões por meio de aquisições, conforme sinalizou Britaldo Soares.

Ao ser questionado se poderia ampliar a atuação para outras regiões de concessão do país, ou por meio de compra de companhias do grupo Eletrobras, o executivo respondeu: "Não. Na distribuição a gente já tem uma plataforma potente, estamos na Eletropaulo com cerca de 6,7 milhões de clientes, na AES Sul temos mais 1,3 milhões de consumidores", disse.

O foco do investimento no segmento de distribuição está na melhoria da qualidade de serviço, por meio da implantação de tecnologias e modernização, segundo o executivo.

Esses investimentos buscam atender cada vez mais às exigências estabelecidas nas revisões tarifárias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que a cada ciclo vem exigindo mais melhorias na qualidade de serviço das concessionárias.

A AES Eletropaulo inaugurou recentemente o novo Centro de Operação de Distribuição nas instalações da também nova sede administrativa da empresa, em Barueri, São Paulo, nos quais investiu cerca de 50 milhões de reais.

Um novo sistema de operação e despacho, com investimento de 30 milhões de reais, também está sendo implantado para dar mais eficiência e agilidade ao serviço da empresa, incluindo a rapidez no envio de turmas para resolver ocorrências na rede.

A mudança dos funcionários para o novo prédio-sede também permitirá redução de custos e despesas. "Todas as áreas da Eletropaulo que não são operações de campo estão concentradas aqui, então, ao fazer isso, a gente liberou aproximadamente 250 milhões de imóveis para venda. É capital que vou realocar em outros investimentos na operação", disse.

A empresa já concluiu a venda de cerca de 160 milhões de reais desses imóveis e a expectativa é que as negociações para a venda do restante sejam concluídas em 2013.

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