Afif reage à crítica contra impostômetro

Vice-governador diz ser 'declaração de um impostor' comentário de que painel é 'bobagem'

GUSTAVO PORTO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h07

O vice-governador do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), disse à Agência Estado que a afirmação do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, de que o impostômetro é "uma bobagem", é uma "declaração de um impostor".

Na segunda-feira, ao participar do Fórum de Economia da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EESP-FGV), Barbosa avaliou que era preciso analisar as receitas e as despesas juntas para justificar a cobrança de impostos e comentou que, se não for assim, "surgem bobagens como o impostômetro".

Apesar de a palavra ser sinônimo de enganador e embusteiro, Afif Domingos utilizou outra definição para o termo "impostor" para criticar Barbosa. "Segundo o (dicionário) Houaiss, impostor é o que pratica a impostura, nesse caso uma carga de imposto superior àquela que a população suporta; mas pode ser também um embusteiro, que não é o caso", afirmou Afif, que também é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo.

Afif classificou ainda a declaração de Barbosa como "infeliz" e afirmou que o Ministério da Fazenda faz pressão para que o projeto de lei 1472/2007, que regulamenta o artigo 150 da Constituição, não seja aprovado na Câmara. "O artigo determina que todo o cidadão deve ser informado com clareza da carga tributária, foi regulamentado no Senado em 2007, passou por todas as comissões na Câmara e se encontra parado nas mãos do presidente da Câmara, que o segura por pressão dos impostores, por pressão da Fazenda", disse.

Criado em 2005, quando Afif presidia a Associação Comercial de São Paulo, o impostômetro registra quanto o brasileiro paga de impostos municipais, estaduais e federais. Ontem pela manhã, o total desde 1.º de janeiro superava R$ 1,08 trilhão.

"O impostômetro foi criado juntamente com a campanha 'De Olho no Imposto', que recolheu mais de 1,5 milhão de assinaturas para respaldar o projeto de lei, que agora está parado na Câmara", lembrou Afif.

Procurado ontem, em Brasília, Nelson Barbosa afirmou que não iria se pronunciar sobre os comentários feitos por Afif Domingos.

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