Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

Afinada com Brasil, Alemanha quer abertura agrícola européia

A Alemanha, a segunda maior economia do mundo e o motor econômico da União Européia, chega a surpreender em seus novos movimentos na política comercial. O governo do chanceler (chefe de governo), Gerhard Schröder, está redobrando esforços para pressionar os europeus a abrirem seus mercados agrícolas aos produtos provenientes do Mercosul. "Trata-se de um empenho singular de parte dos alemães para pressionar países como a França, Espanha, Itália e Portugal, tradicionalmente opostos à abertura agrícola", disse o embaixador do Brasil em Berlim, José Artur Denot Medeiros. E a impressão sobre essa nova posição adotada pelos alemães não é apenas do embaixador. Georg Reichl, conselheiro do Ministério de Economia, Transportes e de Tecnologia do Estado da Baviera, cujo Produto Interno Bruto (PIB) é de 371 bilhões de euros (US$ 435 bilhões), quase o PIB do Brasil, declarou que a Alemanha e o Estado da Baviera, já estão preparados para a abertura agrícola, considerada crucial para o Brasil e seus parceiros do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). "O problema é que a Alemanha sozinha dificilmente conseguirá pressionar os países mais conservadores e fechados nessa questão agrícola", explicou o embaixador. De qualquer forma, acrescentou o diplomata, existe um enorme interesse dos alemães em ampliar seus mercados, razão pela qual querem acelerar as negociações comerciais entre os dois blocos. Esse interesse foi claramente reafirmado na semana passada em Frankfurt, onde foi realizada a 8ª Conferência Latino-americana da Indústria Alemã, da qual participou o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. "A Alemanha precisa de mercados e não vai sair da crise econômica na qual está mergulhando apenas fazendo ajustes internos." Pelo cronograma, o fim das negociações entre o Mercosul e a União Européia está previsto para 2005. O embaixador Medeiros disse que apesar do empenho dos alemães e do fato de o governo alemão estar praticamente fazendo o "jogo do Mercosul" para pressionar os europeus, o Brasil e seus parceiros não vão abrir mais seus mercados se não houver uma contrapartida para seus produtos agrícolas. "Vamos continuar negociando sempre e quando exista correspondência nas áreas de nossos interesses. O que não pode é excluir um setor que é vital para um dos lados, que é a agricultura", afirmou o embaixador.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.