Marcos Correa/PR
Marcos Correa/PR
Imagem Affonso Celso Pastore
Colunista
Affonso Celso Pastore
Conteúdo Exclusivo para Assinante

'A independência formal reforça a independência no uso dos instrumentos'

Por uma feliz coincidência Roberto Campos – o neto – é o primeiro presidente da instituição sonhada pelo avô

Affonso Celso Pastore*, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 17h51

Foi somente em 1966, sob a iniciativa de Roberto Campos, que no Brasil foi criado um banco central. No texto da lei seus diretores teriam mandato fixo e não coincidente com o do Presidente da República. A ilusão durou pouco.

Quando Campos tentou convencer Costa e Silva de que a independência era importante porque o banco central era “o guardião da moeda”, ouviu dele: “o guardião da moeda sou eu”. Tinha início um longo período de “superinflação”, que jogou o país na armadilha do lento crescimento.

O Plano Real deu um primeiro passo à frente conferindo à instituição a independência no uso dos instrumentos, e hoje o Congresso aprovou a Lei que dá independência formal aos seus diretores, que passam a ter mandato fixo e não coincidente com o do Presidente da República.

Por uma feliz coincidência Roberto Campos – o neto – é o primeiro presidente da instituição sonhada pelo avô. A Lei estabelece que sem prejuízo de seu objetivo fundamental - atingir a meta de inflação -, a instituição tenha também por objetivos: zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro; e suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

A independência formal reforça a independência no uso dos instrumentos. Comemoremos este importante avanço!

*EX-PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL E SÓCIO DA A.C. PASTORE & ASSOCIADOS. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.