África do Sul facilita saída de capital para conter alta da moeda

Governo do país também estimulará as compras de câmbio pelo banco central, em um esforço para enfraquecer o rand e ajudar a dar sustentação à economia

Regina Cardeal, da Agência Estado,

27 de outubro de 2010 | 16h22

A África do Sul tornará mais fácil para que recursos deixem o país e estimulará as compras de câmbio pelo banco central num esforço para enfraquecer o rand e ajudar a dar sustentação para a maior economia do continente, disse o ministro das Finanças, Pravin Gordhan.

O Tesouro Nacional elevou suas previsões para o crescimento econômico e cortou as estimativas para o déficit do orçamento, mas não chegou a introduzir controles de câmbio como pediam os sindicatos que afirmam que o rand forte está custando empregos.

"Entendemos que a sobrevalorização sustentada do câmbio cria dificuldades para muitas empresas e ameaça empregos em alguns setores. Pode levar a crescimento desequilibrado, ampliando o déficit em conta corrente e aumentando a vulnerabilidade a choques econômicos", disse Gordhan em discurso no Parlamento sobre o orçamento.

Ele disse que o governo também ampliou o mandato do banco central, que há tempos tem a meta de inflação como foco, para incluir responsabilidades pela estabilidade financeira. O Tesouro prevê que a economia vai crescer 3% este ano, depois de declinar 1,8% em 2009, e se expandir 3,5% no próximo ano, 4,1% em 2012 e 4,4% no ano seguinte.

O governo, que tem como meta criar 5 milhões de empregos na próxima década, disse que é necessário um crescimento de 7% para reduzir o desemprego que está em torno de 25% da população economicamente ativa.

Gordhan

disse que a África do Sul espera se unir a seus pares em desenvolvimento cujo crescimento está em torno de 10%. "Para fazer isso precisamos urgente e honestamente identificar as características de nossa economia que restringem o crescimento econômico".

O rand subiu quase 30% em relação ao dólar desde o início do ano passado, puxado em parte pelo capital que entra em mercados emergentes onde as taxas de juro são mais atraentes. Os sindicatos que formam uma base forte de sustentação ao governo têm pedido que o país siga o Brasil, a Tailândia e outros países que adotaram medidas para conter a alta de suas moedas, desestimulando os investimentos de curto prazo.

Gordhan

disse que, seguindo as decisões tomadas pelos ministros das Finanças e dirigentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G-20) no fim de semana passado, o Tesouro e o banco central vão continuar a comprar reservas, financiados por excedentes de receitas e emissão de bônus e debêntures. O Tesouro prevê que o déficit do orçamento será de 5,3% do PIB este ano e de 3,2% até 2014.

Ao mesmo tempo, os controles de câmbio tais como limites para investimento offshore e para viagens ao exterior para indivíduos serão relaxados e os controles para companhias domésticas serão reformados com o objetivo de remover barreiras para a expansão internacional, disse Gordhan. Companhias internacionais qualificadas poderão levantar e empregar capital offshore sem aprovação do controle de câmbio a partir do início do próximo ano, disse.

"Outros passos para moderar o impacto dos fluxos de capitais para a economia sul-africana serão considerados, com base na experiência internacional e na avaliação do provável impacto local", disse Gordhan no texto de seu discurso.

As medidas representam uma confiança renovada das autoridades sul-africanas em sua capacidade para lidar com o fortalecimento do rand, disse Razia Khan, chefe de pesquisa regional do banco Standard Chartered. Ela disse que um banco central mais ativista provavelmente não fará muito para reverter os ganhos do rand, mas os sinais de que o governo aprofundará a liberalização podem ajudar conter a valorização. As informações são da Dow Jones.  

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