África do Sul pode se opor à compra da SABMiller

Autoridades do país devem examinar como o negócio afeta os empregos e as receitas nacionais

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2015 | 02h05

Órgãos reguladores sul-africanos podem representar um entrave para a conclusão da compra da SABMiller pela AB InBev, já que autoridades do país devem examinar como o negócio afeta os empregos e as receitas nacionais. Autoridades do Ministério das Finanças, do órgão antitruste e sindicatos preparam-se para analisar a proposta de US$ 104,2 bilhões, que pode criar a maior cervejaria global.

A transação "pode requerer a aprovação do Ministério das Finanças", afirmou ontem Phumza Macanda, porta-voz do Tesouro sul-africano, citando as condições impostas pelo governo da África do Sul para a SABMiller, no fim dos anos 90, quando a companhia transferiu suas ações da bolsa de Johannesburgo para Londres. "Algumas condições foram impostas à SAB quando ela mudou seu domicílio para Londres", disse Macanda por e-mail, em resposta a questões sobre o papel regulatório do país na transação.

Ela não especificou quais seriam essas condições, mas disse que elas "se relacionam ao interesse público sul-africano" e "a ativos ou a qualquer receita das vendas". Segundo Macanda, uma vez que o acordo for formalmente notificado a autoridades do país, o ministro das Finanças vai se posicionar. "A África do Sul apoiou suas companhias quando buscavam crescer para o restante do mundo, levando em conta fatores como o impacto sobre a economia e a base de impostos", afirmou.

A comissão de competição do país também terá de avaliar se a aquisição fere as leis antitruste, mas o órgão ainda não foi formalmente notificado sobre o negócio, disse um porta-voz.

Sindicatos que representam os trabalhadores da SABMiller na África do Sul temem demissões e já se preparam para disputas. O Food and Allied Workers Union disse que buscará "usar todos os meios disponíveis" para se opor ao negócio.

A economia sul-africana desacelera e a taxa de desemprego no país está acima de 25%, em parte pela crise no setor de mineração. Nesse quadro, qualquer demissão, redução nos investimentos ou impostos podem motivar críticas e ações de agentes políticos, segundo analistas.

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