Africanos se juntam ao Brasil na OMC contra os EUA

A denúncia do Brasil contra os subsídios norte-americanos ao algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC) começa a ganhar adeptos na África. Hoje, no Senegal, países produtores de algodão, agricultores africanos e organizações regionais declaram formalmente o apoio à iniciativa brasileira. Em um informe conjunto à imprensa africana, a Organização dos Produtores Agrícolas da África Ocidental, o Conselho Africano de Coordenação e Cooperação Rural, a Federação Nacional dos Produtores de Algodão do Senegal e a Associação Algodeira Africana denunciaram as práticas norte-americanas que prejudicam os agricultures dos países pobres. Eles ainda pediram que todos os países produtores da África se juntem ao Brasil na queixa na OMC. O Itamaraty alega que, ao subsidiar a produção de algodão, os Estados Unidos acabam afetando os produtores de outros países ao impedir que exportem seus produtos pelo mesmo preço do algodão norte-americano. Além disso, o Brasil argumenta que, ao subsidiar suas exportações, os Estados Unidos acabam contribuindo para que o preço internacional do algodão se deteriore. O governo brasileiro recebeu com satisfação a notícia de que os africanos estariam se mobilizando ao lado do País. Para um diplomata do Itamaraty, caso esses países se juntem ao Brasil na OMC, as reivindicações contra os norte-americanos ganharão ainda mais força. Mato GrossoEnquanto o Brasil ganha apoio dos africanos, nos Estados Unidos os produtores contra-atacam. Eles acusam os produtores de algodão do Mato Grosso de estar recebendo benefícios fiscais que são contrários às regras da OMC. O alerta foi feito pelo presidente do Conselho Norte-Americano de Algodão, Kenneth Hood, que garante que o Brasil "não terá sucesso em sua denúncia" em Genebra. "Os subsídios ao algodão a partir deste ano são inferiores ao apoio que os produtores recebiam quando a Rodada Uruguai do GATT foi concluída (em 1994)", afirma Hood. Segundo ele, a produção norte-americana ainda caiu nos últimos anos. Em 1990, representava 20,3% da produção mundial e, no final da década, os norte-americanos contavam com 19,6% da produção. A pressão dos produtores sobre o congresso norte-americano não é pouca. Deputados do Comitê de Finanças são produtores de algodão e muitos já estão conversando com Washington para tentar estabelecer uma estratégia para se protegerem contra a queixa brasileira.

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