After Market: estágio para investidores

O pregão noturno da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem cumprido o papel de "educar" o investidor, auxiliando-o a ingressar no mercado de capitais. A avaliação é feita por operadores e diretores das corretoras.Homero Amaral, diretor da Socopa Corretora, acredita que o caráter educacional desse mercado, conhecido como "after market", tem atraído novos investidores. Tanto que a sua empresa identificou o perfil de boa parte dos clientes: operam via Internet no pregão noturno e nunca tinham negociado na Bolsa anteriormente.A opinião é compartilhada por Randolph Haynes, diretor da Corretora Coinvalores. "Há problemas e limitações, mas de forma geral a iniciativa é boa", comentou. Ele acredita que a restrição de oscilação de preços - de 2% para mais ou menos - deva ser revista no futuro, à medida que o volume negociado for expandindo, tendo em vista o perfil do usuário. Haynes lembrou que o pregão noturno é acessado, basicamente por internautas que, em geral, buscam ter ganhos com a oscilação do preço dos papéis.Amaral, da corretora Socopa, defendeu as limitações às negociações after market, mas criticou a possibilidade de se negociar opções nesse pregão, instituído recentemente. "Trata-se de um mercado muito arriscado, que requer a assessoria de um profissional", comentou. Na avaliação de Ivan Kraiser, "trader" de Brasil no Bear Stearns de Londres, na Inglaterra, o pregão noturno da Bovespa ainda é muito limitado. "Não há volume de negócios suficiente e as operações são feitas somente por pessoas físicas", afirmou. Segundo ele, o projeto ainda está em fase embrionária no País e sofre com os mesmos problemas que afligem o mercado tradicional de Bolsa: carência de novas emissões, concentração de papéis e a CPMF.

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