Aftosa: foco na Bolívia faz MS ampliar vacinação neste mês

A descoberta de pelo menos três focos de febre aftosa no rebanho da Bolívia - em Cañadas, Swist Current e Porisaqui - levou o governo de Mato Grosso do Sul a ampliar a vacinação extra contra a doença programada para o mês de fevereiro. Bovinos e bubalinos de qualquer idade criados nos municípios de Ladário e Corumbá, localizados à margem direita do rio Paraguai, devem ser imunizados. A vacinação deve contemplar áreas inundadas ou de risco, assentamentos, distritos e reservas indígenas, além da periferia dos municípios. A determinação é da Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Mato Grosso do Sul (Iagro). A programação inicial era vacinar apenas animais de até 12 meses criados em fazendas de 14 municípios do Mato Grosso do Sul localizadas na fronteira. De acordo com o gestor de defesa sanitária animal do Iagro, Luciano Chiochetta, devem ser vacinados cerca de 800 mil animais durante a campanha de fevereiro. Para a vacinação extra, o Ministério da Agricultura doou um milhão de doses para o governo local.Ele também comentou a situação na fronteira. "Além da vacinação, nós colocamos uma barreira fixa na fronteira com a Bolívia. Lá está sendo feita a desinfecção de todos os veículos que passam pela barreira", afirmou. De acordo com ele, 30 médicos veterinários foram deslocados para monitorar a situação na fronteira. Outros 120 funcionários trabalham na vacinação dos animais.PlanosA descoberta da doença no rebanho da Bolívia pode atrapalhar os planos dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul, que querem que o Estado volte a ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre da doença com vacinação. Para o diretor-técnico substituto da Superintendência Federal de Agricultura no Estado, Orasil Romeu Bandini, o ressurgimento da doença na Bolívia "corrobora para a desconfiança de que o Cone Sul é uma zona endêmica para a aftosa". "O foco acaba confirmando o que se imaginava", completou.Ele lembrou que focos da doença foram registrados nos últimos anos "ora na Bolívia, ora na Argentina e ora no Brasil". O pedido do Mato Grosso do Sul para reclassificação sanitária foi apresentado na quarta, em Paris, à Comissão Científica da OIE, que tem até esta sexta para apresentar uma resposta prévia, de acordo com a assessoria de imprensa da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul). A defesa do pedido do Mato Grosso do Sul foi feita pelo chefe da Comissão Técnica das Américas para a OIE, Jamil Gomes de Souza, que é diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura. Uma posição final da OIE sobre o pleito só será conhecida em maio. De acordo com Bandini, na reunião da comissão técnica os demais países podem fazer questionamentos sobre a situação sanitária dos rebanhos da região. São 167 os países-membros da OIE. "Nos comentários, o assunto pode vir à tona", comentou.Para ele, o impacto inicial do reaparecimento da aftosa na Bolívia, após dois anos e meio sem registro da doença no país, pode ser danoso em termos comerciais. "Mas os países da região podem aproveitar a oportunidade para adotar medidas conjuntas para conter a febre aftosa", disse. Baldini afirmou que tecnicamente os países sabem como resolver o problema. "Falta uma decisão política", disse ele, citando que os países da região precisam investir recursos para controle e para capacitação profissional. Como curiosidade, o diretor-técnico substituto contou que Brasil e Paraguai firmaram um convênio técnico para controle sanitário em 1969, mas que as medidas propostas no acordo ainda não saíram do papel. "O vírus da doença circula desde então e os convênios continuam sendo discutidos", afirmou. As notícias são que três focos de aftosa foram diagnosticados nesta semana na Bolívia.

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