Aftosa no MS afeta atividades de frigoríficos paulistas

A descoberta do foco de aftosa no Mato Grosso do Sul obrigou principais frigoríficos exportadores de São Paulo a reduzir em até 50% o volume de animais abatidos nos dois últimos dias, a suspender os embarques para o exterior e a direcionar seus negócios para o mercado interno.Os dois maiores exportadores brasileiros, o Bertin e o Friboi, anunciaram que estão transferindo a linha de produção de suas unidades paulistas para o mercado interno, numa tentativa de continuar mantendo suas linhas de produção em atividade. Mesmo assim, por precaução e falta de animais em época de entressafra, eles estão abatendo menos que o normal. "Os abates que duravam todo o dia, não continuam agora no período da tarde", disse um trabalhador da unidade do Bertin, em Lins. O receio entre trabalhadores ouvidos pelo Estado é o de férias coletivas e demissões.Ao mesmo tempo, a maioria dos exportadores paralisou os embarques até que todas chances de reverter ou amenizar as conseqüências do boicote internacional fossem tentadas. Ontem, o Chile ampliou o embargo para toda a carne brasileira e o Peru também aderiu ao boicote. O embargo chileno foi visto pelos frigoríficos como uma péssima notícia, pois aquele país é o terceiro maior importador dos frigoríficos paulistas.Além disso, a confirmação da decisão da Organização Mundial de Saúde Animal (OIEA), de não aceitar carne dos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, embarcadas depois de 30 de setembro, vai causar mais prejuízos. Os principais exportadores, como os frigoríficos Bertin, Minerva e Friboi, têm carne que não serão aceitas nos portos europeus e terão de ser trazidas de volta ao Brasil."Por baixo, esses três frigoríficos têm ao menos 2 mil toneladas em fase de desembarque na Europa", disse o executivo do ramo. Essa carne, segundo informações das empresas, será colocada no mercado interno e, se der, serão redirecionadas para alguns países que não aderiram ao boicote. Mercado - Os frigoríficos também continuam praticamente sem comprar em São Paulo. Por isso, pela primeira vez na semana, o preço do boi gordo no mercado futuro fechou em alta. Até ontem, o mercado estava atuando no limite máximo de baixa, de 3%. Ontem, a arroba do boi gordo chegou a subir mais de 2,5% e fechou o dia em alta de 1,4% para dezembro e 1% para novembro.No mercado físico, alguns frigoríficos pagaram R$ 57,00 pela arroba em Araçatuba, uma queda de 1,7% em relação aos R$ 58,00 do início da semana, mas o volume de negócios foi pequeno, porque a maioria dos grandes compradores tem estoques para até a próxima semana e reduziram o volume de abate de animais. A expectativa agora é para a liberação de carne desossada do Mato Grosso do Sul para São Paulo, maior consumidor do produto no País.Corretores ouvidos pelo Estado estimam que o preço do boi pode cair até 3,5% na segunda-feira por conta da liberação. No entanto, outros apostam que o preço deve subir porque não há bois disponíveis para abate em São Paulo e nos Estados liberados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.