Aftosa no MS pode prejudicar exportações de lácteos

A retomada das exportações brasileiras de lácteos corre o risco de ser interrompida em função da descoberta do foco de febre aftosa em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, ainda que o Estado não seja exportador destes produtos. O alerta é do presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite, Rodrigo Alvim, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "Este foco pode criar resistência à importação de leite", avalia.De acordo com ele, a Argentina e a Rússia já suspenderam as importações de produtos brasileiros. Agora o temor é de que o México adote a mesma medida. O país é considerado estratégico para o Brasil por ser o maior importador de lácteos do mundo com um volume anual de aproximadamente US$ 1 bilhão.A conclusão das negociações envolvendo o acordo sanitário entre os dois países levou cerca de dois anos e foram necessárias três viagens oficiais para esclarecer as dúvidas das autoridades mexicanas. O principal questionamento do governo daquele país era justamente o controle da febre aftosa em território brasileiro. "O México pode pedir a revisão do acordo de equivalência", teme Alvim.Balança comercial do setor Depois de atingir pela primeira vez um superávit na balança comercial de lácteos com um saldo positivo de US$ 11,4 milhões no ano passado, o setor apresentou um déficit no volume de exportações no primeiro semestre deste ano, de US$ 17,9 milhões. Os principais fatores, segundo o presidente da Comissão de Leite da CNA, foram a depreciação do dólar frente ao real e o aumento da oferta do produto, que cresceu 13% nos primeiros seis meses do ano. A partir de julho foi observada a reversão deste quadro com uma pequena recuperação das vendas externas. No acumulado entre janeiro a setembro, a balança comercial de lácteos reduziu o déficit para US$ 8 milhões, resultado de exportações que somaram US$ 88,3 milhões e importações de US$ 96,3 milhões. As expectativas do presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA são de que os técnicos brasileiros enviados à Europa, para se reunirem com representantes tanto do governo russo quanto com representantes da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), consigam esclarecer a situação. Alvim ainda acredita que o Brasil poderá encerrar o ano com um saldo comercial positivo na balança comercial de lácteos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.