Agência chinesa critica EUA por possível moratória

Comentários agressivos da agência de notícias estatal chinesa, a Xinhua, destacaram o aumento das preocupações do maior credor dos EUA com uma possível moratória da dívida norte-americana. Dois artigos publicados hoje deixaram claro o dilema enfrentado pelo governo chinês.

DANIELLE CHAVES, Agencia Estado

28 de julho de 2011 | 14h14

Em uma das declarações mais fortes da China sobre o assunto até agora, a Xinhua criticou os líderes dos EUA por colocar a economia mundial sob risco ao não chegar a um acordo sobre o teto da dívida. A agência exigiu que os legisladores norte-americanos mostrem "algum senso de responsabilidade global".

"A parte mais terrível dessa saga é que o bem-estar de muitos outros países também está na zona de impacto" caso republicanos e democratas não consigam chegar a um acordo, escreveu a Xinhua.

De acordo com dados do Tesouro dos EUA, a China tinha US$ 1,159 trilhão em títulos norte-americanos no fim de maio e muitos analistas dizem que essa estimativa é menor do que o volume verdadeiro. Por isso a China estaria entre os países mais afetados imediatamente por uma moratória dos EUA ou um rebaixamento no rating de crédito do país.

As frustrações chinesas estão em sua impotência para alterar a estratégia de investimento em resposta ao crescente risco nos EUA. Analistas dizem que o governo chinês está de mãos atadas porque há poucos mercados no mundo que são profundos e líquidos o suficiente para lidar com as grandes compras de moeda estrangeira da China.

"No entanto, o que não pode ser evitado é o fato de que os bônus do Tesouro dos EUA ainda são os mais seguros, mais estáveis e menos arriscados e o mercado de dívida dos EUA é o único que pode absorver as crescentes reservas estrangeiras da China", disse a agência em outro artigo.

Alimentadas por investimentos estrangeiros e superávits comerciais, as reservas chinesas cresceram US$ 152,8 bilhões nos três meses até junho, para quase US$ 3,2 trilhões, as maiores do mundo. As informações são da Dow Jones.

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