Agência de rating elogia política fiscal

Para o diretor da Standard & Poor's, Sebastian Briozzo, a administração das contas públicas foi fundamental para o aumento da nota

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

O diretor de rating soberano da Standard & Poor's, Sebastian Briozzo, afirmou à 'Agência Estado' que a administração austera das contas públicas pelo governo federal foi fundamental para que a agência elevasse o rating soberano do Brasil de BBB- para BBB, com perspectiva estável.

"Precisamos de algum tempo para avaliar o desempenho da economia pela administração da presidente Dilma Rousseff e comprovamos que vários indicadores, especialmente os fiscais, apresentaram um desempenho positivo", disse Briozzo.

Ele referiu-se à decisão do governo de cumprir um superávit primário cheio de R$ 117,89 bilhões neste ano. No dia 29 de agosto, quando a crise internacional ingressava no seu estágio mais grave, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que esse resultado passaria para R$ 127,89 bilhões.

De acordo com Briozzo, as manifestações do governo, por parte de várias autoridades, como Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e pelo secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, de que o superávit primário cheio é a meta também para 2012, 2013 e 2014 foi outro elemento essencial para a elevação do rating do País. "O compromisso fiscal de médio e longo prazo também é um fator importante para a nossa decisão", destacou.

"A condução da política econômica com suas principais ferramentas, como a gestão fiscal sólida, foi um dos fatores que permitiram a alta do rating do Brasil, num contexto mundial onde outros países tiveram suas notas reduzidas, como os EUA", destacou.

A evolução das contas públicas do Brasil ganha uma avaliação positiva de várias instituições internacionais, como o FMI, o que dá respaldo à avaliação da S&P sobre o País. Segundo o Monitor Fiscal do Fundo, a dívida pública bruta brasileira deve atingir neste ano 65% do PIB e deve baixar gradualmente pelo menos um ponto porcentual do PIB até 2016, quando deve atingir 57,2% do PIB. No caso de várias outras nações, o FMI prevê um desempenho bem menos alvissareiro desse passivo no mesmo período. Nos EUA, a dívida bruta deve saltar de 100% do PIB neste ano para 115,4% em 2016, no Japão deve avançar de 233,1% do PIB para 253,4%, enquanto, na Alemanha, deve variar de 82,6% do PIB para 75,0%.

Segundo Sebastian Briozzo, os bons resultados das contas externas do Brasil também foram fundamentais para que a Standard & Poor's elevasse o rating do País. Um dos fatores que ele se referiu foi a evolução das reservas internacionais, que subiram de US$ 205 bilhões em agosto de 2008 para US$ 351,6 bilhões, valor registrado ontem pelo BC.

O diretor de rating soberano da Standard & Poor's também destacou que a decisão do BC, defendida pelo presidente da instituição, Alexandre Tombini, de ter adotado uma inflexão da política monetária em 31 de agosto foi outro fator fundamental que colaborou na elevação do rating soberano do Brasil.

"A decisão do BC naquele momento, que contou com o auxílio da política fiscal austera, deu condições para Brasil mitigar os efeitos da crise internacional sobre a sua economia", destacou Briozzo. De janeiro a julho, o Copom elevou a Selic em 1,75 ponto porcentual, mas, no último dia de agosto, decidiu adotar um ciclo de cortes "moderados" da taxa, quando reduziu o juro básico em 0,50 ponto porcentual.

"E a sólida gestão das contas públicas pelo governo vai permitir a manutenção do processo de queda de juros, o que colabora para a continuidade das perspectivas favoráveis de crescimento do País", destacou Briozzo.

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